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‘Trabalhar muito e ter foco é imprescindível’

Empresária dona de marca de produtos para cabelo começou com um salão de beleza, cresceu, se endividou, mas deu a volta por cima

Claudio Marques

17 Julho 2017 | 07h31

Ana Márcia Teixeira. Foto: Danúbia Villar

O caminho que Ana Márcia Teixeira trilhou para chegar a ser dona de uma fábrica de cosméticos presente no Brasil e em países europeus começou em sua cidade natal, Viçosa (MG), quando ela tinha 19 anos de idade e se formou cabeleireira. “Apostei no que mais gostava de fazer e resolvi abrir o meu próprio salão. Aos poucos, os clientes foram chegando e fui conquistando espaço. Com o tempo, tinha uma clientela fiel”, conta.

Após oito anos, começou a também distribuir cosméticos, na tentativa de “buscar algo a mais” para a vida profissional e não ficar na dependência exclusiva do salão – o qual lhe exigia muito fisicamente, segundo diz.

“Consegui abrir duas lojas de cosméticos e ainda fazia a distribuição dos produtos para cidades vizinhas à Viçosa”, lembra. O salão de Ana atendia, então, 40 clientes diariamente e a distribuição de cosméticos também ia bem.

Com os dois negócios, ela tinha um faturamento bruto mensal de R$ 50 mil, mas apenas 10% iam para o bolso dela. “Eu tinha muito gasto com funcionários, manutenção das lojas e com os produtos que comprava”, diz.

Um fato de sua vida pessoal, no entanto, abalou os negócios. Aos 32 anos, decidiu tornar real o sonho da casa própria e iniciou a construção do imóvel, aplicando no projeto grande parte dos recursos vindos dos negócios. Ela diz que não conseguiu dar a atenção necessária aos estabelecimentos e à obra ao mesmo tempo e se endividou.

“Muitos funcionários não tinham capacidade de negociar, o que acarretava em muitas vezes pagar um preço alto pelos produtos”, afirma. “E então pegava crédito bancário para poder suprir as necessidades e não conseguia pagá-los rapidamente, o que ocasionou em inúmeros juros”, recorda.

Em 1997, perdeu a distribuidora em consequência das dívidas da empresa. “Eu sabia que a solução, então, era trabalhar. E foi o que eu fiz”, diz. Em um cômodo espaçoso no fundo da sua casa, começou a fazer experimentos químicos, com o objetivo de melhorar os produtos que vendia. “Eu procurei químicos para me ensinarem fórmulas e procedimentos.”

No ano 2000, a mineira abriu a Haskell. Inicialmente, fazia pequenas quantidades de cosméticos capilares – os quais vendia em seu salão e em suas lojas. A procura começou a crescer e logo o ritmo de produção se tornou maior.

“Um ano depois, bem timidamente, comecei a vender os produtos que eu fazia para cidades vizinhas”, diz. Naquele momento, Ana passou a se dedicar 100% ao funcionamento da pequena fábrica. “Eu tinha ambição, queria chegar longe.”

O produto de sucesso foi um cosmético a base de folha de mandioca. “Eu vendi até para cidades do Mato Grosso.” Para ela, o período entre a dívida e a fabricação caseira foi uma escola.

“Eu aprendi muito naquele momento, eu participei das áreas que hoje me cercam e pude entender melhor como tudo deve funcionar”, conta. “Foi bom ter passado dificuldade, porque você vê que sozinha não consegue nada”, diz. Quatro anos depois de ter criado a marca, Ana conseguiu quitar toda a sua dívida.

Hoje, a Haskell é referência, segundo Ana, no segmento de cosméticos capilares com ativos naturais. A marca se expandiu e está presente na Europa. De acordo com a empreendedora, são vendidos 1,9 milhão de unidades por mês. A empresa tem mais de 200 colaboradores e a fábrica, que no início era um cômodo no fundo da casa, hoje é um enorme galpão com mais de 7.800 metros quadrados e 22 mil m² de área construída.

“A Haskell é um sonho que virou realidade através de muito trabalho e esforço. Eu garanto que o nosso produto é feito com muito amor”, afirma. Por meio de distribuidoras, a empresa está presente em todos Estados brasileiros e abastece lojas europeias desde o fim do ano passado – cidades de países como Portugal, Espanha, França, Holanda e Bruxelas recebem os produtos da companhia. Mas Ana quer mais. “Ano que vem eu vou abrir lojas nesses países”, afirma.

“O caminho para ser um empreendedor de sucesso é esse. É muito esforço, é muito trabalho. Ter a consciência de momentos difíceis é importante, mas sair deles é mais ainda. O foco é imprescindível.”
Para além das preocupações empresariais, a empresa apoia o Grupo Pérolas Negras/ PLÍNIO AGUIAR/ESPECIAL PARA O ESTADO