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Possível imposição de limites à TIM derruba ações

13 de julho de 2012 | 11h 13
MÔNICA CIARELLI E GLAUBER GONÇALVES - Agencia Estado

RIO - O temor de que o governo cumpra as ameaças de suspender a venda de planos derrubou ontem as ações da TIM. A advertência feita na quarta-feira pelo ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, veio num momento em que o mercado começa a ver sinais de recuperação da Oi, uma das principais concorrentes da TIM.

Para analistas, essa conjunção de fatores ajuda a explicar a queda de 7,55% no principal papel da empresa negociado na BM&FBovespa. Apesar das críticas sobre os problemas de qualidade nos serviços da TIM, analistas e consultores avaliam que a empresa tem feito investimentos semelhantes aos dos concorrentes, em torno de R$ 3 bilhões.

Segundo esses profissionais, a dificuldade enfrentada pela empresa está na sobrecarga da rede, em razão de uma estratégia comercial agressiva que tem colocado no mercado planos muito mais baratos com possibilidade de utilização ilimitada. Foi por causa desse modelo agressivo que a TIM ultrapassou, em maio, pela primeira vez, a Vivo no segmento de pré-pago na região de São Paulo.

Mas o governo está irritado com a qualidade dos serviços e vem dando o recado publicamente à companhia. O ex-ministro das Comunicações Juarez Quadros, sócio da Órion Consultoria, endossou as ameaças de Bernardo.
?Se eu fosse a autoridade de plantão, suspenderia as vendas. Acho que suspender enquanto a empresa não melhora o atendimento e a qualidade é o mais recomendável?, defendeu.

De acordo com ele, essa é a melhor estratégia para forçar a companhia a solucionar os problemas. ?A suspensão de vendas bate no bolso do acionista, é muito mais interessante (do que multar)?, declarou.

Concorrência

A atual reação da Oi no mercado pode estar estimulando investidores a migrar dos papéis da TIM para os da Oi. ?Houve um acirramento grande da competição no pré-pago. As outras companhias replicaram as ofertas da TIM. A Oi está até mais agressiva na precificação. A vantagem inicial (da TIM) caiu, pois hoje em dia já há ofertas parecidas?, disse o analista de telecomunicações da Frost&Sullivan, Renato Pasquini.

Para ele, os aportes feitos atualmente pela TIM surtirão efeito mais à frente. O analista destacou, no entanto, que a empresa, para enfrentar as dificuldades de forma mais imediata, poderia lançar mão de medidas de curto prazo, como realocar antenas para aumentar a capacidade onde há mais necessidade. ?Eventualmente, em regiões em que há problemas, a companhia pode adequar a cota de dados de cada pessoa e a velocidade de navegação?, disse.

Enquanto os problemas não são resolvidos, os consumidores reclamam. A carioca Clarissa Huguet, de 34 anos, conta que a família dela, que optou pela TIM para pagar menos pelas ligações interestaduais, sofreu com a indisponibilidade do serviço. ?No dia do casamento da minha irmã, houve um apagão geral?, afirmou ela, reclamando que em sua casa, na Lagoa, bairro nobre do Rio, o sinal da TIM é fraco.

Pasquini afirmou que não faria sentido a empresa substituir sua estratégia comercial agressiva por uma mais conservadora em função dos resultados que vem tendo. ?Ela tem sido muito bem-sucedida nesse segmento e acho que deva seguir com essa estratégia?, declarou.

A TIM divulgou um comunicado dizendo desconhecer a possibilidade de restrição na comercialização de seus serviços, bem como os fundamentos dessa eventual medida. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.




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