S&P alerta que pode haver mais rebaixamentos soberanos na Zona do Euro
Tentativas governamentais de adotar medidas para reduzir o déficit fiscal podem ser frustradas por pressão popular
LONDRES - A oposição popular a medidas de austeridade pode frustrar os esforços dos governos para reduzir os déficits orçamentários em países do sul da Europa, e mais rebaixamentos do rating de crédito soberano podem ocorrer neste ano, alertou hoje a agência de classificação de risco Standard & Poor's.
Em revisão dos ratings dos governos da zona do euro, a S&P disse que, embora ainda considere a participação na área de moeda comum um ponto positivo para a capacidade de crédito, "a deterioração prolongada da competitividade desses países e o enfraquecimento das posições orçamentárias subjacentes" têm provocado uma série de reduções das notas desde 2004.
A S&P acrescentou que essa tendência pode prosseguir este ano. "No nosso ponto de vista, os riscos sobre os ratings deverão continuar firmemente do lado das quedas em 2010, dando continuidade a uma tendência negativa que teve início em meados da década passada, quando a primeira onda de rebaixamentos soberanos ocorreu", disse a agência.
Os comentários da S&P vêm num momento em que os investidores estão temerosos com a possibilidade de default de um dos membros da zona do euro com alto nível de endividamento e déficit orçamentário. Grécia, Portugal e Espanha anunciaram planos para reduzir seus déficits e colocá-los em linha, nos próximos três a quatro anos, com o limite de 3% do PIB fixado pela União Europeia.
Mas, segundo a S&P, esses esforços podem ser prejudicados pela oposição popular. "À medida que a pressão sobre as finanças públicas continua a crescer, nós esperamos que a determinação dos governos do sul da Europa de reduzir as necessidades de contração de empréstimo do setor público serão severamente testadas", disse a S&P. "A esperada impopularidade das medidas de austeridade pode despertar reações negativas da sociedade como um todo, desafiando a implementação bem-sucedida de uma ação corretiva."
As informações são da Dow Jones.
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