Tensão na Europa e nos EUA derruba Ibovespa
Maioria das ações do mercado paulista recua, com exceção dos papéis da Oi que sobem
SÃO PAULO - As ações da Bovespa estão em queda praticamente generalizada nesta sexta-feira refletindo o nervosismo do mercado em relação à situação fiscal dos países da Europa e uma possível recessão na região, além de dúvidas sobre o sistema financeiro nos Estados Unidos, com a investigação de alguns bancos no país. As empresas de construção puxam as baixas.
Às 12h10, o principal índice da Bolsa paulista registrava desvalorização de 2,55%, aos 63.134 pontos. Na mínima alcançou 63.131 pontos (-2,56%). No mesmo horário, o Dow Jones caía 1,25% e o S&P 500 registrava queda de 1,63%.
Operadores explicam que a saída do investidor norte-americano Sam Zell da Gafisa, nesta semana, soou como um alerta para o mercado, refletindo sobre todo o segmento. "A saída desse grande investidor pesou sobre o setor inteiro", avalia o operador de mesa da Um Investimentos, Eduardo Camargo Oliveira.
Entre as empresas do setor Gafisa (-5,46%), PDG (-5,31%), Cyrela (-5,10%), Agre (-5,10%) e MRV (-4,28%) figuravam entre as maiores baixas do Ibovespa. "Nem a divulgação de balanços positivos está segurando as ações hoje porque o cenário macroeconômico está se sobrepondo aos resultados corporativos", destaca Oliveira.
A incorporadora Cyrela reportou no primeiro trimestre de 2010 lucro líquido de R$ 174,240 milhões, o que representa um crescimento de 73,4% sobre os R$ 100,457 milhões anotados em igual período de 2009.
Ações da Oi
A exceção hoje fica por conta das ações da Oi, que mantêm fôlego para operar no positivo, após divulgação do balanço do primeiro trimestre. Telemar PN subia 1,12%, Telemar PNA avançava 0,88% e Telemar ON tinha leve alta de 0,03%.
A empresa registrou lucro líquido consolidado de R$ 496 milhões no primeiro trimestre de 2010, ante o resultado de R$ 11 milhões apresentado no mesmo período do ano passado. Na mesma base de comparação, a receita operacional líquida da operadora formada pela fusão da Telemar com a Brasil Telecom ficou praticamente estável, com leve queda de 0,35%, para R$ 7,461 bilhões.
Analistas destacam a queda de custos e despesas operacionais registrado pela operadora, além das sinergias alcançadas em razão da integração com a Brasil Telecom. "A constatação de que o setor estava subavaliado após a oferta agressiva da Telefónica pela participação da Portugal Telecom na Vivo, também beneficia o papel", afirmam analistas da XP Investimentos.
Vale e Petrobras
As ações das blue chips seguem pressionadas pela queda do preço das commodities, em dia de em que o euro mergulhou para uma nova mínima em 17 meses. Por volta do meio dia, Petrobras PN recuava 1,50% e ON cedia 2,01%, enquanto o preço do petróleo na Nymex eletrônica apresentava desvalorização de mais de 2% para a casa dos US$ 72,00 o barril.
OGX caía menos, apresentando recuo de 0,75%. Ontem a empresa anunciou que após concluir a perfuração dos poços OGX-6 e OGX-8, em águas rasas da parte sul da Bacia de Campos, que identificou conexão entre os prospectos Pipeline e Etna (OGX-2A e OGX-6). A empresa estima um volume total de óleo recuperável para os poços de 1,4 a 2,6 bilhões de barris.
Vale PNA cedia 2,40% e ON registrava perdas de 2,44%. As siderúrgicas acompanham o movimento com Gerdau (-2,38%), Gerdau Metalúrgica (-2,48%), Usiminas PNA (-2,24%) e CSN (2,28%).
Balanços
Entre as empresas que divulgaram balanço, JBS Friboi recuava 2,64% e Marfrig cedia 2,08%. A JBS registrou lucro líquido de R$ 99,4 milhões no primeiro trimestre de 2010, ante prejuízo de R$ 322,7 milhões no primeiro trimestre de 2009. Já a Marfrig reportou lucro líquido de R$ 41,7 milhões no primeiro trimestre de 2010, revertendo prejuízo de R$ 38,2 milhões no mesmo período do ano passado.
Braskem registrava perdas de 3,61%. A empresa registrou prejuízo líquido de R$ 123 milhões no primeiro trimestre de 2010 ante lucro de R$ 10 milhões registrado no mesmo período do ano passado. No primeiros três meses deste ano, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortizações e depreciação) cresceu 59,5% para R$ 729 milhões, com margem de 16,3%, ante 14,0% no mesmo período de 2009.
Lojas Americanas recuava 3,33%. A rede varejista apresentou um lucro líquido consolidado de R$ 30,9 milhões nos três primeiros meses do ano, frente a lucro de R$ 1 milhão do mesmo período de 2009, o que representou um aumento de 2.990% no período. Já B2W caía 4,92% e figurava entre as maiores quedas do Ibovespa. A empresa de comércio eletrônico resultante da fusão entre Americanas e Submarino, registrou um lucro líquido de R$ 4,2 milhões no primeiro trimestre, 47,5% inferior ao mesmo período do ano passado.
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