Cai previsão de PIB para a zona do euro
SÃO PAULO - A zona do euro deve voltar a registrar recessão em 2012, após uma interrupção da recuperação econômica no fim do ano passado, afirmou hoje a Comissão Europeia, braço executivo da União Europeia (UE), no seu novo relatório sobre as perspectivas para o bloco.
A previsão para o PIB da zona do euro em 2012 foi revisada para baixo, e agora a Comissão espera uma contração de 0,3% no primeiro trimestre. Se esse resultado se concretizar, o bloco volta para a recessão, que é definida tecnicamente como dois trimestres seguidos de queda no PIB. Nos últimos três meses do ano passado a economia da zona do euro encolheu 0,3%.
No acumulado de 2012, o PIB da zona do euro deve ter uma contração de 0,3%, enquanto a economia da UE deve ficar estável ante 2011. Em novembro do ano passado, a Comissão previa que a economia da zona do euro cresceria 0,5% em 2012, enquanto a UE teria expansão de 0,6%.
Enquanto isso, a inflação tem se mostrado mais persistente do que o previsto, devido aos altos preços no setor de energia, além de aumentos em impostos indiretos. A Comissão agora prevê uma inflação de 2,1% na zona do euro em 2012, e 2,3% na UE. As estimativas anteriores eram de inflação de 1,7% na zona do euro e 2,0% na UE.
A Comissão Europeia afirma que a incerteza permanece alta e os riscos para as previsões são de queda. "Se uma agravação da crise da dívida soberana acabar gerando, em última instância, um choque de crédito (credit crunch) e um colapso na demanda doméstica, isso provavelmente provocaria uma profunda e prolongada recessão", diz o relatório do órgão.
Embora a percepção dos riscos soberanos tenha diminuído "um pouco" nos mercados financeiros, em relação a certos países, os spreads dos bônus permanecem em níveis elevados e as condições de crédito para o setor privado estão se tornando mais apertadas.
"O sentimento econômico ainda está em níveis baixos, mas o estresse nos mercados financeiros está diminuindo. Muitas das ações essenciais para a estabilidade financeira e o estabelecimento de condições para um crescimento mais sustentável e a criação de empregos agora foram adotadas", diz no estudo o comissário de Assuntos Econômicos e Monetários da UE, Olli Rehn.
A Comissão prevê que, após a recessão no início deste ano, uma retomada gradual na confiança de empresas e consumidores será observada no segundo semestre. O crescimento econômico deve ser maior em países como Letônia, Lituânia e Polônia, e a contração será mais acentuada na Grécia e em Portugal. As informações são da Dow Jones.
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