Bolsas europeias fecham em alta e esperam BCE atuar
Principais índices seguem no aguardo de medidas do Banco Central Europeu e queda no retorno ao investidor de papeis soberanos aguçou apetite por risco
LONDRES - As bolsas europeias tiveram mais um dia de ganhos nesta segunda-feira, com baixos volumes por causa das férias de verão no hemisfério norte, em meio à especulação de que o Banco Central Europeu (BCE) logo será obrigado a tomar novas medidas para combater a crise na zona do euro, e à queda nos yields (retorno ao investidor) dos títulos soberanos da Espanha e Itália, que aguçou o apetite por risco. O índice Stoxx Europe 600 subiu 0,46% e fechou aos 266,80 pontos.
Na quinta-feira, o presidente do BCE, Mario Draghi, indicou que o banco poderá voltar em breve a comprar títulos federais no mercado secundário, além de estudar outras medidas não convencionais para diminuir o custo de financiamento das economias europeias em dificuldades. Segundo Draghi, tais medidas só serão implementadas sob rígidas condições e depois de os governos locais entrarem com pedido de ajuda.
No dia seguinte, o primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, sugeriu pela primeira vez que Madri poderá considerar a possibilidade de pedir auxílio do fundo de resgate da área do euro. Recentemente, a União Europeia aprovou um programa de ajuda, de até 100 bilhões de euros, para o setor bancário espanhol.
Depois do relatório de emprego dos Estados Unidos da última sexta, que veio melhor que o esperado e ajudou a sustentar as ações europeias, os investidores estarão de olho esta semana numa série de indicadores chineses, que incluem o índice de preços ao consumidor, produção industrial, saldo comercial e vendas no varejo. O ritmo de crescimento da China, não tão forte quanto no passado, é sempre um fator de peso no mercado.
O índice de Londres, o FTSE 100, subiu 0,37%, para 5.808,77 pontos, encerrando acima de 5.800 pontos pela primeira vez desde 1º de maio. A bolsa inglesa foi impulsionada pelos setores financeiro - Royal Bank of Scotland (+5,9%) e Barclays (+3,4%) - e minerador - Evraz (+4,8%) e Vedanta (+3%).
Em Paris, o índice CAC-40 avançou 0,81%, para 3.401,56 pontos. Os bancos também se destacaram na França, com Crédit Agricole e BNP Paribas garantindo ganhos de 5,2% e 3,8%, respectivamente.
Após um problema técnico que manteve os negócios suspensos por mais de quatro horas, o índice Ibex-35, de Madri, teve de longe o melhor desempenho do dia, saltando 4,41%, para 7.053,60 pontos. A forte retração recente nos yields da dívida da Espanha ajudou também a sustentar as ações do país. Os destaques foram os bancos Santander (+4%) e BBVA (+4,5%), além da Telefónica (+4,8%).
O índice FTSE Mib, de Milão, registrou alta de 1,54%, para 14.342,03 pontos. Também na Itália o setor financeiro se destacou, com Intesa Sanpaolo (+3,8%), UBI Banca (+1,8%), Mediobanca (+2,5%) e Generali (+1,4%). Mediaset, que ficou suspensa durante parte do dia, saltou 10,6%.
Em Frankfurt, o índice Dax subiu 0,77%, para 6.918,72 pontos. Lideraram os ganhos ThyssenKrupp (+2,9%), Deutsche Boerse (+2,6%) e BMW (+2,4%).
A Bolsa de Lisboa avançou 1,57% e terminou na máxima do dia, com o índice PSI-20 a 4.706,01 pontos. As informações são da Dow Jones.
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