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Dólar avança e fecha na máxima, a R$ 2,015

Declarações de diretor do BC sobre preocupação com real valorizado foram principal impulso à cotação da moeda norte-americana

03 de julho de 2012 | 18h 28
Cristina Canas, da Agência Estado

As declarações feitas pelo diretor de Política Monetária do Banco Central, Aldo Luiz Mendes, foram o grande evento do mercado doméstico de câmbio na sessão desta terça-feira. Ele disse que os dados divulgados da atividade industrial vieram aquém do esperado e reforçam a necessidade de uma ação mais forte no câmbio. Com isso, determinou a trajetória de alta da moeda norte-americana e o dólar fechou o dia com valorização de 1,31%, na máxima de R$ 2,015 no mercado à vista de balcão. Na BM&F, o dólar à vista encerrou o dia a R$ 2,002 (+0,75%) e o contrato futuro de agosto era cotado a R$ 2,021, com alta de 1,50%, às 17h47 horas.

A trajetória é contrária ao comportamento registrado no exterior, onde a queda no sentimento de aversão ao risco favoreceu ativos de risco, entre eles moedas emergentes e o euro. Há pouco, a moeda única valia US$ 1,2609 ante US$ 1,2573 no final da tarde de ontem, em Nova York.

Mendes disse também que o cenário observado na indústria aponta para a necessidade de um dólar mais alto do que o atual patamar. Como desde ontem e até essas palavras serem divulgadas, a cotação estava se mantendo abaixo de R$ 2,00, o mercado entendeu que o diretor do BC estava "defendendo no grito o piso de R$ 2,00". "O mercado entendeu que a equipe econômica não quer a moeda norte-americana abaixo desse valor", disse o operador da Corretora Renascença, José Carlos Amado.

Com a intervenção verbal, somada às últimas atuações feitas pelo Banco Central por meio dos leilões de swaps cambiais, a maioria dos analistas criou a percepção de que a banda informal do dólar, na atual situação de mercado, é de R$ 2,00 a R$ 2,10. "A sinalização clara foi de que o dólar ao redor de R$ 2,00 é bom para o País e para a indústria. Além disso, é uma cotação que ainda não contaminou os índices de preços e, portanto, parece um patamar confortável", disse o analista de mercados emergentes da Icap do Brasil, Filipe Brandão.

Mas há discordâncias que podem gerar volatilidade nos próximos pregões. Para o operador da Interbolsa Brasil, Ovídio Pinho Soares, "o medo é que o BC alongue o teto". Ele acredita que o mercado vai testar essa "elasticidade" e vê a possibilidade de isso ocorrer amanhã. "O mercado hoje está contaminado e fica a incerteza para amanhã que é feriado nos EUA", afirmou.





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