Euforia externa não tem impacto sobre os juros
Apesar da recuperação dos ativos de risco no exterior, contratos de DI curtos e intermediários mantêm estabilidade
SÃO PAULO - A forte recuperação dos ativos de risco em virtude das medidas anunciadas após a reunião de cúpula da União Europeia teve apenas efeito indireto sobre as taxas futuras de juros. Por indireto entenda-se a queda acentuada do dólar, que compensou o avanço das commodities e, por ora, dirime os resquícios de preocupação adicional com o comportamento dos preços. O resultado desse quadro foi a estabilidade dos contratos de DI curtos e intermediários. E nem mesmo a expectativa de que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anuncie a prorrogação do IPI menor incidente sobre a linha branca impactou o mercado de juros.
Assim, ao término da negociação normal na BM&F, o DI janeiro de 2013 (335.220 contratos) estava em 7,63%, de 7,62% no ajuste. O DI janeiro de 2014, com movimento de 308.990 contratos, marcava 7,89%, de 7,87% na véspera. Entre os longos, o sinal era de queda. A taxa projetada pelo DI janeiro de 2017 (80.510 contratos) era de 9,33%, de 9,38% ontem, enquanto a taxa para janeiro de 2021 (3.225 contratos) apontava mínima de 10,02%, ante 10,09% no ajuste.
O dia já começou animado para os mercados globais. Na Europa, a cúpula de líderes chegou a um acordo que estabeleceu que os dois veículos de resgate da região, a Linha de Estabilidade Financeira Europeia (EFSF, na sigla em inglês) e o Mecanismo Europeu de Estabilidade (ESM, na sigla em inglês) vão ser capazes de injetar recursos diretamente nos bancos, evitando a necessidade de que cada país arruíne suas próprias contas com novas dívidas no processo. Além disso, os líderes concordaram que o dinheiro que será emprestado para a Espanha para fins de capitalização bancária não entrará para a conta de endividamento do país.
Por fim, houve um acordo para liberar 120 bilhões de euros em recursos a fim de estimular projetos de infraestrutura. As notícias foram recebidas com extremo otimismo, mas vale destacar que, no caso da EFSF e ESM, será necessário a aprovação unânime dos governos da zona do euro.
Esse fato já seria o suficiente para impor um recuo ao dólar, mas a presença do Banco Central forçou ainda mais a queda, com revogação de medida e novo leilão de swap cambial. Enquanto isso, o governo segue determinado a estimular a demanda. Há rumores de que Mantega anunciará nesta sexta-feira a ampliação do prazo em que o IPI menor incidirá sobre a linha branca. "O fato de o governo estender a redução do IPI ou ampliar o crédito não muda a visão do mercado sobre a estratégia do BC no curto prazo. A verdade é que todas as ações estão tendo uma resposta muito lenta", ponderou um experiente profissional da área de renda fixa.
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