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Juros cedem com chance de Selic ficar baixa por mais tempo

Movimento é desencadeado por rumores de que o BC está perto de encerrar o ciclo de cortes da taxa básica

17 de agosto de 2012 | 16h 50
Márcio Rodrigues, da Agência Estado

SÃO PAULO - Depois de passarem a primeira metade dos negócios coladas ao ajuste, as taxas futuras de juros, sobretudo a partir do trecho intermediário da curva a termo, passaram a devolver no meio da tarde parte os prêmios acumulados na quinta-feira. Esse movimento foi desencadeado por rumores de que o Banco Central realmente está perto de encerrar o ciclo de cortes da Selic, mas que a ideia é manter a taxa básica em patamares baixos por um período maior do que o esperado pelo mercado financeiro. Até então, o avanço de 0,75% do IBC-Br em junho ante maio vinha segurando as taxas coladas ao ajuste, comportamento que se manteve nos vencimentos mais curtos.

Assim, ao final da sessão regular na BM&F, a taxa projetada pelo DI janeiro de 2013 (342.335 contratos) estava em 7,28%, de 7,31% no ajuste. Neste patamar, segundo operadores, as apostas são de novo corte de 0,50 ponto porcentual da Selic no fim deste mês, para 7,50%, mas divisão de expectativas para a reunião de outubro, entre manutenção do juro básico em 7,50% e redução para 7,25%. Até quarta-feira, o mercado dava como praticamente certo um novo relaxamento de 0,25 ponto porcentual da Selic em outubro.

Já a taxa do contrato de juro futuro para janeiro de 2014 (359.830 contratos) marcava 7,86%, de 7,87% na véspera. Entre os longos, o DI janeiro de 2017 (81.445 contratos) cedia para 9,24%, de 9,28% ontem, enquanto o DI janeiro de 2021, com giro de 3.775 contratos, recuava para 9,86%, de 9,92% no ajuste.

Os últimos dados de atividade, a começar pelo crescimento das vendas do varejo em junho ante maio, trouxeram a percepção de que a economia mostra sinais, ainda que discretos, de melhora. "O IBC-Br apenas confirmou a melhora que já era indicada pelo dado do varejo. Não foi suficiente para salvar o trimestre, mas dá sinais de que o terceiro trimestre será melhor", afirmou o economista sênior do Besi Brasil, Flávio Serrano. Por isso mesmo, segundo ele, os investidores apagaram parte das apostas na extensão do ciclo de cortes para outubro.

O avanço de 0,75% do IBC-br em junho ante maio, segundo o Banco Central, representou o melhor desempenho do indicador na comparação mensal desde março de 2011. Além disso, o índice, considerado uma espécie de prévia do PIB, mostrou expansão de 0,38% no acumulado dos três meses entre abril e junho de 2012, na comparação com o primeiro trimestre de 2012, na série com ajuste sazonal.

No âmbito da inflação, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) apurado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) registrou alta de 0,21% na segunda quadrissemana de agosto, ante 0,16% na primeira prévia e levemente acima da mediana encontrada pelo AE Projeções, de 0,19%.



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