12:18


15 de Abril de 2010

 

Patrocinado por




Você está em Economia > AE Mercados
Início do conteúdo

Juros futuros recuam em dia de poucos negócios

Mercado repercute plano estratégico de Dilma de baixar taxa de juro real para 2% até 2014

01 de novembro de 2010 | 10h 01
Marisa Castellani, da Agência Estado

SÃO PAULO - O mercado de juros promete um dia tranquilo, com as taxas trabalhando em torno da estabilidade ou da queda - no caso de horizontes mais longos. O dia também deve ser marcado pela baixa liquidez de negócios, numa segunda-feira espremida entre o fim de semana e o feriado de Finados, amanhã. A vitória de Dilma Rousseff (PT) no segundo turno das eleições presidenciais já havia sido precificada na sexta-feira, quando os juros devolveram prêmios com intensidade após notícias da imprensa de que ela poderia ser mais responsável do ponto de vista das contas públicas do que o atual governo. O discurso da presidente eleita, tocando em pontos sensíveis ao mercado, como reforma tributária e maior controle de gastos públicos, não passou despercebido por operadores.

Outra questão comentada pelos profissionais hoje é o plano estratégico de Dilma para colocar a economia brasileira na direção de uma taxa de juro real de 2% até 2014, o que seria possível com um conjunto de medidas a serem lançadas até o fim do ano. Trata-se de um pacote que já está pronto há quase dois meses e que será mais amplo do que as medidas de estímulo ao financiamento do crédito privado.

Entre as medidas em estudo de caráter fiscal voltadas para o médio prazo estão mudanças em algumas regras para a elaboração do Orçamento e a criação de um orçamento plurianual para os investimentos. O ministério da Fazenda também quer deixar pronta uma proposta de desoneração gradual da contribuição previdenciária na folha de pagamentos das empresas e mudanças nas regras da poupança.

A pesquisa Focus, divulgada nesta manhã pelo Banco Central (BC), trouxe alta das expectativas para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2010, de 5,27% para 5,29%, e também de 2011, de 4,98% para 4,99%. Já a projeção suavizada do IPCA 12 meses à frente caiu de 5,17% para 5,16%. A estimativa para o IPCA em outubro sofreu leve ajuste para cima, de 0,62% para 0,65%, enquanto a de novembro seguiu em 0,50%. Os Índice Gerais de Preços (IGPs) para 2010 subiram, mas isso não afetou os IGPs para 2011. Nada mudou para a Selic (a taxa básica de juros) esperada ao fim deste ano e do próximo.

A expectativa com a reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), amanhã e na quarta-feira, domina os negócios no mercado externo, com reflexos também no Brasil. É amplamente esperado que o banco central norte-americano anuncie uma nova rodada de estímulos econômicos, mesmo que persistam dúvidas sobre o tamanho e o momento exato da compra de bônus. Mas a notícia de destaque desta manhã veio da China, onde o Índice dos Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) subiu em outubro.

O PMI oficial subiu de 53,8 em setembro para 54,7 em outubro, de acordo com a Federação de Logística e Compra da China (CFLP, na sigla em inglês), enquanto o PMI medido pelo banco HSBC avançou de 52,9 para 54,8, na mesma base de comparação. Ambos os indicadores também mostraram intensificação das pressões inflacionárias.

Às 9h51 (horário de Brasília), a taxa projetada pelo DI com vencimento em janeiro de 2012 apontava 11,32%, ante 11,34% do fechamento de sexta-feira. Já o contrato com vencimento em janeiro de 2013 apresentava taxa de 11,66%, ante 11,71% do fechamento anterior.


Siga o @estadao no Twitter