Comentário sobre IOF de derivativos reduz alta do dólar
Possibilidade de o governo retirar no curto prazo o IOF de derivativos minimiza tensão com cenário externo
SÃO PAULO - Comentários de que o governo estuda a retirada, no curto prazo, do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nas transações com derivativos diminuíram a pressão de alta do dólar na tarde desta terça-feira. Após bater a máxima de R$ 2,002 no mercado à vista de balcão e no contrato futuro de junho, a moeda norte-americana cedeu a R$ 1,987 (+0,25%) no fechamento do pronto. Às 17h16, o dólar junho estava em R$ 1,9875 (+0,15%).
A reação do mercado aos comentários não foi impetuosa, mas teve importância, pois ocorreu no momento em que, no exterior, a tensão se acentuava, depois de uma manhã mais amena. O euro, por exemplo, tinha rompido para baixo a marca de US$ 1,25 e se sustentava fraco, depois que houve o rebaixamento do rating soberano da Espanha pela agência de classificação de risco Egan-Jones, de BB- para B. Na mínima, a moeda europeia cedeu a US$ 1,2461, menor cotação desde julho de 2010, quando foi de US$ 1,2470.
"O fato de haver uma sinalização de que o governo está pensando em mexer nas medidas mereceu uma reação dos investidores, porque o mercado precisa de um alívio. Precisa da sinalização de que as pressões adicionais colocadas na cotação do dólar com o arsenal que o governo criou no câmbio podem ser aliviadas, se a aversão ao risco aumentar ainda mais", disse um analista.
Sobre o prazo para que esse alívio ocorra, o analista disse que "pode ocorrer a qualquer momento". Em sua percepção, o governo não precisaria esperar um agravamento ainda maior do cenário internacional, pois "a moeda já andou sozinha".
Outro operador ouvido pela Agência Estado concordou que medidas para aliviar a pressão no dólar podem surgir a qualquer momento e acrescentou: "o mercado ainda é de alta e o Banco Central está administrando de perto a situação". Por isso, acredita esse especialista, a decisão de retirar o IOF nos derivativos poderia ocorrer no caso de falta de dólares ou se o governo vislumbrar piora das tensões internacionais.
É necessário considerar também que o mercado está às vésperas da formação da taxa de câmbio que irá ser usada na liquidação dos contratos futuros de junho e em meio ao processo de rolagem das posições nos derivativos cambiais. Assim, esses movimentos técnicos tendem a interferir nos negócios. Ainda mais que, durante este mês de maio, os investidores mostraram alterações importantes nas apostas com esses ativos. Os estrangeiros, por exemplo, fecharam o mês de abril vendidos em US$ 463 milhões e, na segunda-feira, encerraram os negócios comprados em US$ 3,528 bilhões.
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