Movimento vai pressionar pela queda do juro
Representantes de trabalhadores e empresários, além de economistas, lançam manifesto em SP
SÃO PAULO -
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Preocupados com o agravamento da crise mundial, trabalhadores, empresários e economistas decidiram se unir para pressionar o Comitê de Política Monetária (Copom) a manter a queda da taxa de juros. Um manifesto por um País com menos juros, maior produção e mais emprego vai ser lançado terça-feira em São Paulo, na véspera da decisão do Copom sobre a nova taxa básica de juros (Selic).
Articulado por entidades como a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Força Sindical e Central Única dos Trabalhadores (CUT), o movimento tem o apoio de economistas como o ex-ministro Luiz Carlos Bresser-Pereira, Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo, Yoshiaki Nakano e o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann, entre outros.
Como primeiro ato de protesto, os organizadores pretendem juntar centenas de empresários, trabalhadores e economistas em um abraço simbólico ao prédio do Banco Central, na Avenida Paulista, centro financeiro da cidade de São Paulo. Entre as ideias do movimento, está a de fazer contraponto aos argumentos de que é preciso aumentar os juros para conter a inflação.
"A Selic não tem nada a ver com consumo", afirma o presidente da Abimaq, Luiz Aubert Neto. Ele argumenta que a taxa básica está completamente descolada da economia real. A taxa média de juros que o brasileiro paga hoje está em 6,69% ao mês, o que representa 120% ao ano, dez vezes a Selic (12%). "Nem agiota russo cobra juros tão altos quanto o que estamos pagando."
No manifesto que será lançado terça-feira, as entidades alegam que "não há por que temer a inflação" com o cenário internacional precário e incerto, a redução dos preços das commodities e uma projeção de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) em torno de 3,5%. Além disso, lembram que o aumento das metas fiscais sinaliza um déficit nominal zero, alterando as expectativas dos agentes econômicos, o que abre mais uma oportunidade para redução da taxa de juros.
O pagamento de encargos da dívida hoje consome cerca de 36% do Orçamento Geral da União. Esses recursos, segundo as entidades, poderiam atender as carências do País de infraestrutura, saúde, transporte, telecomunicações, educação e saneamento, entre outros.
"Cada ponto porcentual da taxa Selic equivale a R$ 17 bilhões", diz o presidente da Fiesp, Paulo Skaf. Ele frisa que uma redução significativa na taxa pode trazer grande economia aos cofres públicos. "O governo vai gastar este ano mais de R$ 240 bilhões com juros da dívida, enquanto a saúde recebe apenas R$ 70 bilhões e a educação, menos de R$ 60 bilhões."
Os altos juros não consomem apenas recursos públicos. Com base em dados do BC, a Abimaq calcula que empresas e pessoas físicas deverão pagar este ano cerca de R$ 350 bilhões em juros. Pior: o total de juros pagos pelo governo e pela sociedade chegará a R$ 590 bilhões. É mais do que o faturamento somado dos setores automotivo, máquinas e eletroeletrônicos, de R$ 400 bilhões.
"Os números são impressionantes", diz Aubert Neto. "A política de juros altos dos últimos 17 anos representa a maior transferência de renda da história do capitalismo neste planeta", diz Aubert Neto.
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