Governo lançará medidas de estímulo à exportação
Segundo secretária, estão em discussão financiamentos às vendas externas e apoio às médias empresas; medidas cambiais são debatidas no âmbito da Fazenda
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Texto atualizado às 19h44
BRASÍLIA - A estagnação das exportações este ano é uma possibilidade que está no cenário do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). A secretária de comércio exterior, Tatiana Prazeres, voltou a dizer que o governo lançará medidas de apoio às exportações até o final do primeiro trimestre deste ano.
Em relação a possíveis medidas cambiais, Tatiana disse que esse assunto é discutido no âmbito do Ministério da Fazenda. O resultado deficitário da balança comercial de janeiro, segundo ela, deve ampliar o engajamento dos demais ministérios na busca por saídas para elevar as vendas brasileiras para o exterior.
A secretária afirmou ser "inegável" o efeito do câmbio sobre a balança comercial brasileira. "Sem dúvida, o câmbio é componente fundamental, pois afeta nos dois sentidos: ajuda a aumentar as importações e a diminuir as exportações", afirmou.
Na avaliação de Tatiana, a cotação do dólar hoje não é competitiva para que as empresas brasileiras embarquem seus produtos para o exterior. "Já esteve pior e já esteve melhor do que agora, mas o dólar não está em um em nível de conforto para exportador brasileiro", considerou.
De acordo com a secretária, o financiamento também é um componente importante entre as medidas. "Também buscamos uma simplificação das exportações e fazer com que as empresas de menor porte também passem a exportar", disse.
Busca de novos mercados
Uma outra ação que está em estudo, conforme Tatiana, é vincular a inovação de produtos e a promoção de comércio exterior ao aumento das exportações de itens com maior valor agregado. "Precisamos de medidas que levem em conta o novo cenário internacional, que leve em conta o desaquecimento de economias maduras", pontuou.
Por isso o MDIC está empenhado, segundo Tatiana, na busca de novos mercados. Alguns exemplos, conforme a secretária, são países do norte da África ou até da América do Sul, como a Venezuela, que são nações com maior risco e, portanto, que acabam encarecendo o custo do crédito para o exportador. "É preciso pensar um financiamento que estimule as exportações para esses tipos de países", declarou.
Tatiana destacou o forte crescimento da média diária das exportações para o Congo, saindo de US$ 200 mil em janeiro do ano passado, para US$ 7,1 milhões, em janeiro deste ano. Os principais produtos destinados ao país africano no mês passado foram construções pré-fabricadas, máquinas, equipamentos e eletroeletrônicos.
Governo garante superávit em 2012, mas não fixa meta
"Vamos fechar o ano com superávit. Vamos exportar pelo menos um volume igual ao de 2011", previu a secretária. Mesmo assim, o ministério optou por não divulgar ainda a meta das exportações para 2012. Há ainda dificuldades de se formar um cenário, conforme a secretária, por conta das incertezas verificadas no mercado internacional. De acordo com ela, o objetivo do governo para as vendas externas brasileiras será divulgado até o final do primeiro trimestre deste ano.
A secretária avalia ainda que o ano será complicado para o País. "2012 será ano difícil para o comércio exterior brasileiro", disse há pouco durante entrevista coletiva.
De acordo com ela, as médias diárias de compras e vendas brasileiras são as maiores para janeiro, mas as importações estão avançando muito além das exportações. Na avaliação da secretária, a crise financeira internacional, 'principalmente a retração da União Europeia', explica o resultado do mês, que fechou com déficit de US$ 1,3 bilhão, o que configura o pior janeiro em 39 anos.
Houve "retração expressiva" do mercado no bloco econômico, de acordo com Tatiana. Ela disse que, apesar da crise, o Brasil conseguiu manter, no primeiro mês de 2012, o volume exportado em janeiro de 2011.
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