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15 de Abril de 2010

 

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Por que a inflação é ruim?

O Brasil vive um período de estabilidade de preços, com a adoção do sistema de metas de inflação. Mas por que é tão importante combatê-la?

29 de julho de 2010 | 14h 40
Nívea Terumi, do Economia & Negócios

SÃO PAULO - Se você perguntar a um economista por que a inflação é prejudicial a uma economia, ele provavelmente responderá algo como esse indicador revela um desequilíbrio na atividade, causando instabilidade. É como se a inflação fosse um termômetro que indica alguma anormalidade na economia.

O coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), Antônio Evaldo Comune, explica que um dos principais problemas trazidos pela inflação é a perda da noção de relatividade dos preços; ou seja, a perda pelo consumidor de sua base de comparação. Se há uma alta generalizada dos preços de bens e serviços, a população perde seu poder de compra e isso desestimula os negócios e os investimentos. "A inflação dificulta o planejamento econômico", resume.

Esse desequilíbrio entre preços e produção se traduz na inflação, mas há diferença entre desequilíbrios sazonais - ou seja, causados por alguma questão pontual, como o excesso de chuvas para os preços das hortaliças - e variações persistentes de preços. Estas últimas são indicações estruturais de desequilíbrio, adverte o professor de Economia do Insper (Ex-Ibmec São Paulo), Otto Nogami.

Para o professor, o Brasil é historicamente vulnerável a variações de preços, pois enfrenta um problema crônico: faltam investimentos continuados para aumentar sua capacidade instalada. E essa deficiência é renovada por governos estanques, que geralmente não trabalham com uma visão de longo prazo para a economia, afirma.

Medo do dragão

Os brasileiros ainda veem na inflação um dos maiores motivos de preocupação quando o assunto é economia (veja o vídeo) e conservam práticas que remontam ao tempo em que o País vivia sob os reajustes da hiperinflação - como a compra do mês no supermercado -, que só foi controlada após o Plano Real, em 1994, e a adoção do regime de metas, em 1999.

São menos de duas décadas de estabilidade econômica, o que pode explicar a grande quantidade de indicadores que medem a evolução dos preços no País. São 11 nacionais e 4 na cidade de São Paulo. Dentre eles, está o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o indicador oficial da inflação no Brasil, medido pelo IBGE.

Para o economista da Gradual Investimentos, André Perfeito, o mercado, de forma geral, não se preocupa com a volta do descontrole da inflação. Mas ele reconhece que há uma atenção muito forte das instituições financeiras com o índice de preços: "O mercado ainda teme as 'dores' do crescimento que historicamente afetaram o Brasil, em especial a inflação."

Como lembra o professor do Insper, Otto Nogami, a estabilidade de preços tende a aumentar a confiança da população, que passa a consumir mais. "E isso leva a uma nova rodada de alta de preços", explica.

Sistema de metas para a inflação

Diante disso, dá para imaginar que, se a inflação é ruim, a meta do governo - que adota o sistema de metas para a inflação desde 1999 - para ela poderia ser zero. O problema é que um governo sempre tem compromissos futuros, explica o coordenador do IPC-Fipe. Por o Estado gastar mais do que arrecada, isso já pressupõe que haverá alguma inflação para financiar suas atividades. E nessa conta entra também o grau de endividamento privado.

No Brasil, a atual meta de inflação é de 4,5% ao ano, com uma margem de tolerância de 2 pontos porcentuais, para cima ou para baixo. "A meta é o máximo admissível de inflação pela política econômica de forma a não causar desequilíbrios graves na economia", pondera o professor Nogami, do Insper.

Isso explica por que os países que adotam o regime de metas têm metas diferentes - ela depende da estrutura de cada economia. "O importante é que os preços não fujam desse teto estabelecido", lembra Comune. No Brasil, quem define a meta da inflação é o Conselho Monetário Nacional (CMN), ligado ao Ministério da Fazenda e composto pelos ministros da Fazenda e do Planejamento, além do presidente do Banco Central.

Controlar as expectativas

O regime de metas para a inflação é baseado no controle das expectativas do mercado para o volume de dinheiro na economia. Isso porque a taxa de juros calibra o preço do dinheiro, evitando que haja variações muito grandes na oferta de moeda. Ao fazer pública sua meta de inflação, o governo ganha credibilidade pelos agentes privados e isso aumenta as chances de que o índice inflacionário fique dentro do limite estabelecido.

"Para o BC é mais importante a expectativa para a inflação do que o índice observado", afirma o economista da Gradual. Mas essa expectativa não é da sociedade em geral, e sim do mercado financeiro. Segundo Perfeito, a explicação para isso é que interessa ao BC saber o que esperam os agentes financeiros, que são, em última instância, os negociadores dos títulos da dívida pública do governo.


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