Esse desequilíbrio entre preços e produção se traduz na inflação, mas há diferença entre desequilíbrios sazonais - ou seja, causados por alguma questão pontual, como o excesso de chuvas para os preços das hortaliças - e variações persistentes de preços. Estas últimas são indicações estruturais de desequilíbrio, adverte o professor de Economia do Insper (Ex-Ibmec São Paulo), Otto Nogami.
Para o professor, o Brasil é historicamente vulnerável a variações de preços, pois enfrenta um problema crônico: faltam investimentos continuados para aumentar sua capacidade instalada. E essa deficiência é renovada por governos estanques, que geralmente não trabalham com uma visão de longo prazo para a economia, afirma.
Os brasileiros ainda veem na inflação um dos maiores motivos de preocupação quando o assunto é economia (veja o vídeo) e conservam práticas que remontam ao tempo em que o País vivia sob os reajustes da hiperinflação - como a compra do mês no supermercado -, que só foi controlada após o Plano Real, em 1994, e a adoção do regime de metas, em 1999.