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15 de Abril de 2010

 

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Reservas internacionais têm pior rentabilidade desde 2005

Segundo dados do BC, rendimento em 2009 foi de 0,83%; média entre 2002 e 2009 foi de 5,61%

12 de agosto de 2010 | 15h 28
Fernando Nakagawa, da Agência Estado

BRASÍLIA - As reservas internacionais brasileiras tiveram rendimento de 0,83% em 2009, conforme dados divulgados nesta quinta-feira, 12, pelo Banco Central. O desempenho é bem inferior ao observado nos anos anteriores, como em 2008 (9,33%) e 2007 (9,35%). De acordo com o relatório anual sobre a gestão das reservas, o desempenho do ano passado foi o pior desde 2005, ano em que o montante teve rendimento negativo de 3,58%.

Documento que é apresentado neste momento em Brasília mostra, ainda, que a média do rendimento entre os anos de 2002 e 2009 foi de 5,61%. Nesse período, o melhor desempenho foi registrado em 2003, quando o rendimento ficou em 9,61%.

Liquidez

O diretor de política monetária do Banco Central, Aldo Luiz Mendes, afirmou que a instituição vai manter a estratégia de compra de dólares para reforçar as reservas internacionais. Durante entrevista para detalhar o relatório anual de gestão das reservas, o diretor afirmou que o BC mantém a política não apenas motivado pelo fluxo cambial presente, mas também pela expectativa de entrada de dólares no futuro.

"Muitas vezes o mercado atua em cima de uma expectativa futura. E existe uma expectativa grande no mercado. Então, o BC precisa fazer essa antecipação. O BC também trabalha com antecipação e é isso que está acontecendo agora", disse o diretor ao citar rapidamente a perspectiva de muitos analistas de que o Brasil pode receber volumes expressivos da moeda norte-americana no futuro. Uma das fontes desse possível fluxo pode ser a capitalização da Petrobrás.

Aldo explicou que o BC mantém a estratégia de compra de dólares por dois motivos principais. O primeiro é a manutenção da liquidez adequada no mercado. "O BC entra no mercado para retirar a liquidez excedente porque ela pode ser benéfica ou maléfica na formação de preço", disse. O outro motivo das intervenções do BC é a volatilidade. "A gente não busca retirar a volatilidade do mercado. É intrínseco ao mercado ter volatilidade. Não nos compete retirar. Mas também não queremos colocar volatilidade adicional. Por isso, tentamos ao máximo a neutralidade", disse.

Nas últimas semanas, o Banco Central reforçou a estratégia de compra da moeda norte-americana e as reservas internacionais alcançaram a casa de US$ 260 bilhões nesta semana.

Custos fiscais

Mendes defendeu a opção da instituição de manter as reservas internacionais e disse que o custo financeiro dessa operação é menor que o benefício gerado para a sociedade. "Acredito que o retorno, o benefício de ter as reservas, supera os custos fiscais. O melhor exemplo disso é que a gente saiu muito antes da crise na comparação com outros países e sem nenhum arranhão", argumentou o diretor.

Para reforçar a avaliação, ele relacionou a manutenção das reservas com o nível de emprego da economia brasileira e o juro praticado nas captações internacionais do governo e empresas brasileiras. "Se a gente pudesse medir o número de empregos poupados por conta das reservas internacionais, a taxa de juro muito mais baixa para o governo tomar recursos lá fora, o juro menor que empresas pagam para tomar empréstimo no exterior por estarem em um país com essas reservas, se fosse possível somar tudo isso, sou absolutamente convencido de que o benefício é maior que o custo de manter as reservas. E vemos isso no dia a dia", disse.

Aldo também lembrou da situação brasileira nos anos 90. "A fragilidade da economia brasileira era amplificada naquela época. A crise rebatia no Brasil porque o País era muito frágil do ponto de vista externo. Na época, não tínhamos reservas e a crise sempre chegava pelo balanço de pagamentos. Hoje, os US$ 260 bilhões das reservas nos dão musculatura para enfrentar crises", argumentou.

(Texto atualizado às 16h44)


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