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15 de Abril de 2010

 

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Desaceleração global e do Brasil encerra aperto da Selic, dizem analistas

Segundo economistas, depois de dados mais fracos do País e da perspectiva de menor crescimento, Copom não deve elevar mais uma vez a taxa básica de juros

23 de agosto de 2011 | 14h 56
Luciana Antonello Xavier, da Agência Estado

NOVA YORK - A desaceleração das economias brasileira e global deve ser apontada como motivo para o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) parar com o ciclo de aperto monetário, avaliam analistas entrevistados pela Agência Estado em Nova York. A próxima decisão do Copom será anunciada no dia 31 de agosto. A Selic está atualmente em 12,50%, após ter tido alta de 0,25 ponto porcentual na reunião de julho.

"Antes, esperava que ainda pudesse haver mais um aumento de 0,25 ponto porcentual, mas agora acho que veremos o fim do aperto, depois de dados mais fracos, como produção industrial, e da perspectiva de menor crescimento no segundo semestre", diz economista-sênior para América Latina da Economist Intelligence Unit (EIU), Robert Wood.

Wood ressalta ainda que o primeiro semestre acabou sendo mais fraco do que se esperava para a economia brasileira. Para ele, o presidente do BC, Alexandre Tombini, já vem sinalizando a preocupação com o crescimento da economia global e que o ciclo de alta da Selic poderia estar perto do fim.

Aliás, Wood acha que o comunicado do Copom deverá expressar a preocupação do BC com a piora do cenário externo e o desaquecimento da economia brasileira. A EIU revisou recentemente para baixo as projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 4% para 3,6% em 2011 e de 4,1% para ao redor de 3,6% em 2012. Para a inflação, a estimativa é de IPCA em 6,2% em 2011 e 5% em 2012.

Para o estrategista para mercados emergentes da MF Global, Michael Roche, a fraqueza da economia americana e europeia deve influenciar a decisão do Copom. "Vamos ter de olhar o que o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, poderá anunciar em Jackson Hole, pois a expectativa é de que virá algum tipo de estímulo. E com base nessas informações frescas o Copom poderá tomar melhor sua decisão", disse. "E creio que será por uma pausa na alta da Selic", completou.

Roche revisou para baixo, no início do mês, as projeções para inflação e PIB para este ano e o ano que vem. A estimativa para o PIB passou de 3,9% para 3,75% em 2011 e de 4% para 3,75% em 2012. Já a projeção para IPCA baixou de 6,5% para 6,25% em 2011 e de 5,25% para 5% em 2011.

Desaperto - Os analistas não têm em seus cenários básicos uma nova recessão global e sim desaceleração. Eles avaliam que um novo ciclo de queda da taxa básica de juro pode vir nos próximos 12 meses. O último ciclo de afrouxamento monetário terminou em setembro de 2009. Wood, da EIU, espera que a Selic caia a 12% em 2012.

"Acredito que o BC comece a cortar os juros nos próximos 12 meses. Se houver uma crise bancária na Europa, por exemplo, uma deterioração maior no cenário externo ou uma desaceleração mais forte do que se espera no País, os cortes poderiam vir até mesmo no final deste ano", disse Roche. Ele estima que a Selic estará em 11,5% no final de 2012.


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