TCU retira critério de menor financiamento para leilão do trem-bala
Previsão do orçamento total para a construção foi reduzida de R$ 34,6 bi para R$ 33,1 bi
BRASÍLIA - Por determinação do TCU, o menor financiamento público não deverá ser mais critério para escolha do vencedor do leilão de concessão do projeto do trem-bala Campinas São Paulo Rio de Janeiro. Inicialmente, o governo havia proposto escolher o concessionário da obra em leilão tendo como base dois critérios: o de quem cobrar a menor tarifa na classe econômica e o de quem exigir o menor financiamento público a ser liberado pelo BNDES.
Segundo técnico que participou da avaliação do TCU, o critério do menor financiamento não estava previsto na lei. Por conta desta mudança e também de revisões do que o TCU considera "inconsistências" no projeto original o Tribunal reduziu R$ 217 para R$ 199 a tarifa teto a ser cobrada na classe econômica do serviço expresso entre São Paulo e Rio de Janeiro.
Conforme antecipou na terça-feira a Agência Estado, o TCU também reduziu de R$ 34,6 bilhões para R$ 33,1 bilhões o orçamento total para a construção do Trem de Alta Velocidade. Com isso, o limite para financiamento do BNDES que é de 60,3% foi reduzido de R$ 20,8 bilhões para R$ 19,9 bilhões.
Participação do governo
O governo irá ter uma participação direta na Sociedade de Propósito Específico(SPE)que será criada pelos vencedores do leilão de concessão do projeto do trem-bala Campinas, São Paulo, Rio de Janeiro.
Segundo técnicos do Tribunal de Contas da União (TCU), que aprovou nesta quarta a modelagem do edital do leilão, a empresa vai se chamar ETAV, sigla para Empresa do Trem de Alva Velocidade.
A participação desta futura estatal na SPE será proporcional ao montante que a União vai desembolsar para arcar com os custos das desapropriações necessárias à obra.
O TCU aprovou os estudos econômicos que integram os modelos de edital do leilão, que agora poderá ser publicado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). O Tribunal, porém, fez ressalvas à proposta e reduziu, por exemplo, o custo total da obra.
Ao ler seu voto, o relator do processo, ministro Augusto Nardes, fez várias críticas às "inconsistências" do projeto, relativas a aspectos ambientais e econômicas. Ele, no entanto, reconheceu que o Tribunal abriu mão da exigência de que a ANTT apresentasse o projeto básico para a obra. Essa questão vinha causando divergências entre os dois órgãos. "Esta questão foi superada. Até porque é uma concessão pública. E se estabelecêssemos um projeto básico, teríamos dificuldade para estabelecer a tecnologia para o trem".
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