Comércio eletrônico tem deflação de 9,6% em 2011 até novembro
Compras pela web permitem uma maior comparação de preços, o que contribui para a queda dos valores das mercadorias, aponta o novo índice Fipe Buscapé
SÃO PAULO - Os preços ao consumidor do comércio eletrônico registraram deflação de 9,6% de janeiro a novembro deste ano, segundo o indicador Fipe Buscapé lançado nesta quinta-feira, 1°. O resultado reflete uma percepção já consolidada: as compras pela web permitem uma maior comparação de preços e acirram a competição entre as empresas, o que contribui para a queda dos valores das mercadorias.
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O novo índice é uma parceria entre a Fundação Instituto de Pesquisa Econômicas (Fipe) e o site de comparação de preços Buscapé. Mensalmente, mais de 1,3 milhão de preços de produtos do e-commerce serão levantados.
O indicador também mostra que, ao contrário do esperado, as oscilações do dólar ao longo deste ano não se refletiram na alta de preços de produtos eletrônicos e de informática, ao menos entre aqueles que são comercializados pela internet. Nos primeiros onze meses de 2011, eletrônicos e itens de informática registraram deflação de 13,4% e 6,1%, respectivamente.
Entre as 10 categorias pesquisadas pelo índice, que representam 80% de todo o comércio eletrônico, os destaque de queda foram Fotografia (-21,8%) e Telefonia (-19,6%). Na outra ponta, a maior elevação, de 6,6%, foi registrada entre Brinquedos e Games.
Comparando-se os pesos dos itens, eletrodomésticos, eletrônicos, informática e telefonia representam 90% de todo o comércio online, enquanto cosméticos, esporte e lazer, casa e decoração, brinquedos e games e moda respondem por 10% do volume de produtos vendido no e-commerce.
"A composição das compras no comércio eletrônico é bastante diferente da estrutura de pesos dos IPCs", afirma a professor da Fipe, Sérgio Crispim. Segundo ele, dos 156 itens pesquisados diretamente pelo índice, apenas 24 estão na composição do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) - que serve de parâmetro para o governo monitorar a meta de inflação - e representam 5,2% do consumo das famílias. Em valores, explica o professor, a cifra deve somar R$ 150 bilhões em 2011. O valor é ainda maior se forem consideradas as 10 categorias - R$ 270 bilhões.
E-commerce
Um desdobramento deste índice, explica Crispim, é a possibilidade de projetar um crescimento real mais exato do comércio eletrônico. Nominalmente, o e-commerce deve crescer 26,4% neste ano. Em termos reais, descontada a inflação pelo IPCA, o avanço é de 18,5%, número que salta para 39,1% se usado o Fipe Buscapé como deflator.
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