Europa fecha novo acordo de ajuda à Grécia
Negociações para socorro de € 130 bi duraram quase 13 horas e foram concluídas na madrugada desta terça; credores privados concordaram com desconto maior, de 53,5% da dívida
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Atualizado às 11h40
BRUXELAS - Os ministros das Finanças da zona do euro finalmente concordaram com os termos do acordo para garantir um novo resgate € 130 bilhões (US$ 171,9 bilhões) à Grécia e a reestruturação da dívida do país. Os detalhes finais foram negociados na madrugada desta terça-feira. Autoridades que participaram do encontro, que durou quase 13 horas, chegaram a um acordo sobre o plano que tem como objetivo reduzir a dívida da Grécia para pouco mais de 120% do seu Produto Interno Bruto (PIB) até 2020. O nível atual da dívida beira 160% do PIB.
De acordo com algumas das autoridades, credores privados da dívida grega concordaram em desconto de 53,5% no valor de face dos seus títulos - número maior do que os 50% concedidos antes da reunião. O organismo que representa os credores do setor privado disse que recomenda que eles "considerem cuidadosamente" o novo acordo fechado hoje, que os força a aceitar uma perda maior.
Participantes da reunião disseram que o país em crise também será beneficiado com um acordo pelo qual o Banco Central Europeu irá distribuir lucros estimados em € 50 bilhões de títulos comprados no mercado secundário em 2010-11 para os governos da zona do euro - e que agora serão usados para ajudar a Grécia. Os ministros concordaram, ainda, em uma nova redução na taxa de juros sobre o empréstimo de € 53 bilhões concedido pela zona do euro no 1º resgate, acordado em maio de 2010.
Mesmo com o consenso dos ministros, economistas avaliam que o acordo vai deixar questões de longo prazo sobre a capacidade da Grécia de pagar sua dívida, ainda que reduzida.
Um relatório de nove páginas de 15 de fevereiro feito pelo FMI e pela UE, obtido pela Reuters, descreve como a recuperação grega continuará sendo incerta pelos próximos anos, e como Atenas precisará de ajuda internacional por um período indefinido.
"Há uma tensão fundamental entre os objetivos do programa de redução da dívida e melhora da competitividade, já que a desvalorização interna necessária para restaurar a competitividade da Grécia irá inevitavelmente levar a uma maior relação da dívida em relação ao PIB no curto prazo", disse a análise.
Grécia será monitorada
O ministro das Finanças francês, Francois Baroin, disse que a Grécia será monitorada na implementação das reformas associadas ao resgate. Afirmou, porém, que o governo grego não será, de modo algum, colocado sob tutela ou "administração especial". "Tutela não faz parte do nosso vocabulário", disse.
Já o comissário para assuntos monetários da União Europeia, Olli Rehn, disse que haverá representantes permanentes da chamada troica - formada por Banco Central Europeu (BCE), FMI e Comissão Europeia - na Grécia para monitorar a implementação do programa, satisfazendo a demanda dos credores.
A ministro da Finanças da Alemanha, Wolfgang Schaeuble, disse que está confiante que o Parlamento alemão aprovará na próxima semana o acordo de socorro aprovado hoje pelos ministros das Finanças, em Bruxelas.
Na Grécia, popularidade de 2 principais partidos cai para nível recorde
A popularidade dos dois principais partidos políticos da Grécia, que apoiaram o governo de coalizão, caiu para nível nunca visto, segundo resultado de uma pesquisa de opinião realizada pela agência GPO para a TV Mega entre 16 e 21 de fevereiro. Caiu também a popularidade do primeiro-ministro, Lucas Papademos, de 63% em dezembro para 43%. A maioria dos gregos (77%) acredita que o país deve continuar na zona do euro.
Segundo a pesquisa, o partido conservador Nova Democracia conseguiria 19,4% dos votos se as eleições fossem realizadas agora. O Partido Socialista ou Pasok receberia 13,1% dos votos. Ambos partidos tiveram queda de dois pontos porcentuais nas intenções de voto em relação à pesquisa anterior, realizada em dezembro. A pesquisa mostrou ainda que o partido Nova Democracia não conseguiria obter maioria absoluta nas eleições.
Bancos alemães dizem que contribuição é exceção
A contribuição do setor privado no resgate da Grécia é "enorme" e deve continuar sendo uma "exceção", disseram os dois principais grupos representantes dos bancos alemães.
O acordo é "substancial" e o juro sobre a nova dívida do governo grego que os investidores concordaram reinvestir será "muito baixo por vários anos", disse o grupo BdB, que representa os maiores bancos comerciais da Alemanha, como o Deutsche Bank e o Commerzbank.
Ainda assim, o BdB disse estar confiante de que uma grande parte dos investidores do setor privado irá participar da troca. Os bancos já anteciparam parte das perdas previstas com os bônus gregos e fizeram provisões contra tal risco, portanto, poderão suportar a perda, embora individualmente levarão tempo para "digeri-la", disse o BdB e a associação VOEB, que representa o banco de crédito Landesbanken.
(Com informações da Reuters e Dow Jones)
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