Dólar sobe ante real por exterior, mas fluxo abranda alta
SÃO PAULO - O dólar fechou em alta frente ao real nesta quinta-feira, influenciado pelo tom negativo no exterior ainda por preocupações com o ritmo da recuperação global.
A moeda norte-americana subiu 0,23 por cento, a 1,774 real na venda, após avançar 0,51 por cento na máxima do dia e chegar a operar praticamente estável no final da manhã.
"As bolsas lá fora estão em queda e a aversão a risco está pesando sobre o dólar hoje", disse Mario Battistel, diretor de câmbio da Fair Corretora. "Mas com certeza houve uma entrada mais significativa pela manhã, o que permitiu que (o dólar) diminuísse a alta."
Nos Estados Unidos, as bolsas de valores seguiam no vermelho, repercutindo notícias corporativas e um novo aumento nos pedidos de auxílio-desemprego no país. Houve aumento de 2 mil requisições na semana terminada em 7 de agosto, alcançando o maior nível em quase seis meses .
As preocupações com a Europa, em segundo plano nos últimos dias, também pressionaram. Um relatório mostrou que a economia grega recuou mais que o esperado no segundo trimestre, enquanto a produção industrial na zona do euro caiu em junho.
Os dados mantinham o euro em baixa frente ao dólar --que, por sua vez, se valorizava ante uma cesta de moedas.
Na visão do gerente de câmbio de uma corretora paulista, que pediu anonimato, o mercado cambial doméstico tem respondido com menos intensidade à volatilidade externa, devido principalmente aos fundamentos da economia brasileira e às elevadas apostas contra a moeda norte-americana em âmbito local.
"As variações têm sido bem tímidas nos últimos dias. As posições vendidas dos bancos (no mercado à vista) têm segurado o dólar nesse nível", afirmou. "Basicamente, o pessoal está esperando a capitalização da Petrobras", que deve atrair recursos externos para o país.
Segundo dados do Banco Central, na virada do mês, as instituições bancárias sustentavam cerca de 10 bilhões de dólares em exposição vendida no mercado à vista.
Profissionais do mercado afirmam que essa postura dos bancos é estimulada pelas compras diárias de moeda estrangeira pelo BC, que levaram as reservas internacionais à casa de 260 bilhões de dólares recentemente.
Em Brasília, o diretor de Política Monetária do BC, Aldo Luiz Mendes, disse que o BC mantém a política de aquisição de dólares por meio de leilões para adequar a liquidez do mercado, acrescentando que, mesmo não havendo excesso da moeda norte-americana no momento, é preciso se antecipar ao fluxo futuro .
Ele disse ainda que o BC tem condições de atuar no mercado de derivativos por meio de um leilão de swap reverso, mas que não tomou a decisão de fazer isso.
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