Para UE e FMI, pacote não é suficiente
Negociadores da União Europeia duvidam que o valor de 130 bilhões seja suficiente para resgatar o país e pedem mais garantias
GENEBRA - Superadas as diferenças entre os partidos gregos, os desentendimentos se transferiram para Bruxelas. O acordo de desta quinta-feira abriu as portas para que os credores avaliem se vão abrir seus cofres. Mas tanto ministros da União Europeia como a diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, insistiam, numa reunião de emergência em Bruxelas, que o drama grego ainda não tinha terminado.
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Um grupo de negociadores na União Europeia chegou a dizer que o valor de € 130 bilhões acordado em 2011 já não seria suficiente para resgatar a Grécia.
Lagarde não deixou de comemorar os "sinais animadores", mas alertou: "Ainda resta muito por fazer". O que o FMI quer são garantias de que as eleições de abril no país não afetarão os compromissos assinados nesta quinta-feira. Para o porta-voz do FMI, Gerry Rice, a Grécia "tem de fazer mais" em cortes de gastos.
Jean-Claude Juncker, presidente do Eurogrupo, disse que ainda existiam "muitos pontos a esclarecer" para que a UE desse o sinal verde para o pacote. O ministro de Finanças da Alemanha, Wolfgang Schaueble, também cobrou mais esclarecimentos e queria saber como os gregos farão para reduzir a dívida atual de 160% do PIB para 120% em 2020.
Na avaliação de diplomatas europeus, a realidade é que o acordo estava baseado em parâmetros de outubro de 2011, quando se pensava que € 130 bilhões seriam suficientes para salvar a Grécia e o país poderia reduzir sua dívida para 120% em 2020. Mas, desde então, a situação se deteriorou.
Liderado pela Alemanha, um grupo insistiu em não dar mais dinheiro aos gregos, já que as antigas promessas jamais foram cumpridas. "Cabe ao governo grego adotar ações concretas, por meio de legislação e outras ações, para convencer seus parceiros de que o plano pode funcionar", disse Olli Rehn, comissário de Economia da UE.
Em Paris, os bancos também negociavam um acordo com os gregos, aceitando um calote de 70% e tirando dos ombros dos gregos mais de € 100 bilhões em dívidas. Um sinal de esperança foi a indicação de Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu, de que estava disposto a abrir mão dos lucros sobre € 40 bilhões em papéis gregos. Isso significaria uma redução de € 15 bilhões na dívida grega.
Mas os sinais de desconfiança são profundos. Alemanha e França tentaram convencer os demais governos de que a Grécia não tocaria no valor liberado. O fundo ficaria depositado numa conta controlada pela UE e será gasto apenas com justificativas.
Essa é uma forma encontrada por Berlim para abandonar a ideia de intervenção direta na administração grega, mas mantendo o controle total sobre os gastos. O dinheiro depositado nessa conta especial servirá de colchão para uma eventual quebra na Grécia. Se, mesmo depois do pacote, o país falir, o dinheiro seria usado para compensar os credores, evitando que o calote grego não se transforme numa espécie de Lehman Brothers europeu, levando consigo bancos e outros países.
Protestos. Domesticamente, a batalha também está longe do fim. Assim que souberam dos detalhes do acordo, sindicatos convocaram para hoje, amanhã e domingo protestos às portas do Parlamento. Suas esperanças são de que isso pressione os deputados a bloquear o acordo no Parlamento, em votação programada para domingo.
Dentro do governo, os protestos também ganham força. O vice-ministro do Trabalho, Yiannis Koutsoukos, pediu sua demissão ontem, alegando que não poderia aceitar submeter a população a esses cortes.
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