S&P pode rebaixar EUA no fim de julho se risco de calote crescer
Para analista da agência, a relação dívida/PIB americana está chegando perto de 75% e pode chegar a 84% até 2013
NOVA YORK - A Standard & Poor's (S&P), uma das três mais importantes agências de classificação de risco do mundo, acredita que os Estados Unidos precisam evitar o crescimento da relação entre a dívida e o Produto Interno Bruto (PIB) para evitar um rebaixamento em seu rating de crédito. A declaração foi feita por Nikola Swann, analista da agência, durante uma entrevista.
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Na noite da última quinta-feira, a agência colocou a nota de crédito americana em revisão com possibilidade de rebaixamento, o que significa que os EUA correm o risco de perder a nota máxima de credibilidade e descerem pra um patamar menor. Os Estados Unidos são classificados pela S&P com o rating AAA desde 1941. Na quarta-feira, outra agência de classificação de risco, a Moody's, já havia colocado a nota americana em revisão para possível rebaixamento. A agência anunciou que o rating do país poderia ser rebaixado apenas um dia após o calote da dívida.
As agências de classificação de risco têm como ganha-pão a concessão de ratings – ou classificações – a empresas, governos ou qualquer entidade que emita títulos para serem negociados no mercado. Essas classificações são a opinião da agência sobre a capacidade do emissor desses títulos de honrar seus compromissos com os investidores.
Para o analista da S&P, a relação dívida/PIB dos EUA está chegando perto de 75% e pode chegar a 84% até 2013. "Se acharmos que na última semana de julho" a probabilidade de haver um default dos EUA cresceu, "podemos rebaixar o rating antes" de eles efetivamente deixarem de fazer um pagamento, acrescentou Swann.
Segundo a agência, em 4 de agosto os EUA precisam fazer pagamentos relacionados a uma série de papéis comercializáveis da dívida do país. A falta de pagamento colocaria "imediatamente" o rating do governo norte-americano em SD, ou default seletivo, tanto no curto quanto no longo prazo.
"Nossa ação não é simplesmente em função do atual debate sobre o teto do endividamento, é um julgamento sobre onde as negociações políticas estão e até onde elas precisam ir antes de chegarem a um plano plurianual de consolidação fiscal de estabilização a dívida", disse Swann, acrescentando que esse plano deve prever "no mínimo" uma redução de US$ 4 trilhões no déficit.
O acordo mais recente anunciado por lideranças do Congresso prevê cortes de US$ 1,5 trilhão. Isso não está "nem perto dos US$ 4 trilhões e esperamos rebaixar o rating dos EUA se o acordo final efetivamente for de US$ 1,5 trilhão", afirmou Swann.
Nesta sexta-feira, o presidente Barack Obama pediu para que o Congresso norte-americano apresente logo uma solução para a dívida do país. Ele quer que os congressistas aproveitem o próximo dia para definir o melhor plano possível para elevar o teto da dívida e o apresentem a ele. No mínimo, os dois lados devem conseguir chegar a um acordo sobre um plano que eleve o teto da dívida e inclua uma redução inicial do déficit do país, afirmou Obama.
O Congresso tem até o dia 2 de agosto para aumentar o limite de endividamento do país, evitando, assim, que os EUA deixe de cumprir suas obrigações financeiras. No entanto, as negociações entre o governo Obama e os congressistas não têm evoluído, fazendo com que o prazo fique cada vez mais próximo. Na última terça-feira, o líder republicano no Senado dos Estados Unidos, Mitch McConnell, chegou a dizer que não é provável uma solução de longo prazo para os problemas fiscais do país enquanto o presidente Barack Obama continuar no cargo. As informações são da Dow Jones.
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