'A outra opção, que era deixar como estava, seria muito pior'
Para a ministra do Plano Collor, não havia opções na época para combater a inflação
16 de março de 2010 | 13h 30
Agência Estado
SÃO PAULO - A ex-ministra da Fazenda Zélia Cardoso de Mello, uma das criadoras do Plano Collor, que faz 20 anos hoje, reconheceu em entrevista à Rádio Eldorado os resultados negativos da iniciativa, mas disse que, na época, não havia alternativa para o País. "Houve muitos efeitos negativos e não quero, de maneira nenhuma, diminuir e renegar isso, mas tínhamos pouquíssimas opções à frente. Estávamos à beira da hiperinflação, com inflação de 82% ao mês, e subindo a cada dia", relembrou.
O pacote de medidas foi oficialmente chamado de Plano Brasil Novo, mas se tornou fortemente associado à figura do ex-presidente Fernando Collor de Mello, hoje senador pelo PTB de Alagoas, que enfrentaria um impeachment dois anos depois, em 1992. O plano combinava, entre outros pontos, medidas radicais para a estabilização da inflação com a abertura do País às importações e a venda de empresas públicas.
A iniciativa mais drástica ficou conhecida como confisco, quando o governo tomou posse dos depósitos bancários acima de 50 mil cruzados novos. Zélia, no entanto, diz que o projeto provocou mudanças que ela considera importantes, como a privatização e a abertura comercial. "Tínhamos uma economia fechada."
Como ocorreu em outras ocasiões, Zélia contou que a inclusão da caderneta de poupança no confisco ocorreu pouco antes de a proposta ser anunciada. "Nossa intenção não era essa, mas, como os rumores eram muito grandes e havia uma migração de recursos de outras aplicações para a poupança, fomos obrigados a incluí-la."
A ex-ministra da Fazenda justificou a decisão dizendo que foi baseada em muitos estudos e tomada num momento em que a equipe econômica não tinha escolha. "A outra opção, que era deixar como estava, deixar a hiperinflação acontecer, seria muito pior." Figura mais proeminente na divulgação do plano, Zélia também atribui a decisão ao Congresso, que aprovou a medida provisória (MP) que o criou. "Essa medida foi negociada, discutida e aprovada pelo Congresso Nacional."
Depois de 20 anos, Zélia, sócia de uma consultoria nos Estados Unidos em que faz prospecção de empresas que procuram recursos para investimento, diz que virou a página, mas que pensa sempre sobre o assunto. "De alguma forma, todo mundo vira. Mas é inevitável sempre pensar nessas coisas. Eu queria que o plano que fizemos tivesse sido bem-sucedido em tudo".
Lula
A ex-ministra disse que a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva surpreendeu e, do ponto de vista econômico, foi bem-sucedida. "Lula é extremamente perspicaz e percebeu que as mudanças que vinham sendo feitas desde os Planos Cruzado, Collor, Real foram boas e que ele deveria manter o curso e aprofundar o que estava sendo feito de bom, em vez de pegar as ideias do PT".
As medidas tomadas durante a crise, como a diminuição de impostos e do depósito compulsório dos bancos para injetar liquidez no mercado, foram certas, afirmou a ex-ministra. "O Brasil saiu mais rápido da crise que outros países e de maneira positiva."
O pacote de medidas foi oficialmente chamado de Plano Brasil Novo, mas se tornou fortemente associado à figura do ex-presidente Fernando Collor de Mello, hoje senador pelo PTB de Alagoas, que enfrentaria um impeachment dois anos depois, em 1992. O plano combinava, entre outros pontos, medidas radicais para a estabilização da inflação com a abertura do País às importações e a venda de empresas públicas.
A iniciativa mais drástica ficou conhecida como confisco, quando o governo tomou posse dos depósitos bancários acima de 50 mil cruzados novos. Zélia, no entanto, diz que o projeto provocou mudanças que ela considera importantes, como a privatização e a abertura comercial. "Tínhamos uma economia fechada."
Como ocorreu em outras ocasiões, Zélia contou que a inclusão da caderneta de poupança no confisco ocorreu pouco antes de a proposta ser anunciada. "Nossa intenção não era essa, mas, como os rumores eram muito grandes e havia uma migração de recursos de outras aplicações para a poupança, fomos obrigados a incluí-la."
A ex-ministra da Fazenda justificou a decisão dizendo que foi baseada em muitos estudos e tomada num momento em que a equipe econômica não tinha escolha. "A outra opção, que era deixar como estava, deixar a hiperinflação acontecer, seria muito pior." Figura mais proeminente na divulgação do plano, Zélia também atribui a decisão ao Congresso, que aprovou a medida provisória (MP) que o criou. "Essa medida foi negociada, discutida e aprovada pelo Congresso Nacional."
Depois de 20 anos, Zélia, sócia de uma consultoria nos Estados Unidos em que faz prospecção de empresas que procuram recursos para investimento, diz que virou a página, mas que pensa sempre sobre o assunto. "De alguma forma, todo mundo vira. Mas é inevitável sempre pensar nessas coisas. Eu queria que o plano que fizemos tivesse sido bem-sucedido em tudo".
Lula
A ex-ministra disse que a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva surpreendeu e, do ponto de vista econômico, foi bem-sucedida. "Lula é extremamente perspicaz e percebeu que as mudanças que vinham sendo feitas desde os Planos Cruzado, Collor, Real foram boas e que ele deveria manter o curso e aprofundar o que estava sendo feito de bom, em vez de pegar as ideias do PT".
As medidas tomadas durante a crise, como a diminuição de impostos e do depósito compulsório dos bancos para injetar liquidez no mercado, foram certas, afirmou a ex-ministra. "O Brasil saiu mais rápido da crise que outros países e de maneira positiva."
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