Alemanha não pode ser ‘chantageada’ a ajudar em razão da 2ª Guerra, diz ex-BCE
Além de coordenar a ajuda europeia aos países mais fragilizados do bloco, o país tem sido criticada por pressionar fortemente para reformas rígidas em troca do resgate
FRANKFURT - O ex-membro do conselho diretivo do Banco Central Europeu (BCE) Otmar Issing afirmou que a Segunda Guerra Mundial não pode ser usada como uma forma de "chantagear" a Alemanha a ajudar os países debilitados da zona do euro.
Issing, alemão que foi do conselho do BCE de 1998 a 2006, continua influente nas questões de política econômica no seu país. Desde que deixou a instituição europeia, trabalha como consultor do governo alemão para assuntos financeiros e econômicos.
Em uma entrevista para a Dow Jones, Issing afirmou que, de uma perspectiva histórica, a Alemanha de fato está "em uma posição especial", mas 67 anos após o fim da guerra "a Alemanha não pode ser chantageada em função do seu passado". Segundo ele, isso é especialmente verdade no caso da ajuda aos países problemáticos da zona do euro, "que não resolve os problemas desses Estados".
Além de, na prática, coordenar a ajuda europeia aos países mais fragilizados do bloco, a Alemanha tem sido criticada por pressionar fortemente para a implementação de reformas rígidas em troca desse resgate, o que acaba intensificando a recessão em muitas economias. Enquanto isso, internamente o governo alemão enfrenta uma crescente frustração com o uso de recursos do país para ajudar os vizinhos, que mesmo assim não estão adotando as medidas prometidas.
Issing comentou ainda que é errado esperar que o Banco Central Europeu (BCE), cujo principal mandato é manter a estabilidade de preços, compre os bônus de países debilitados. "Isso não resolve os problemas e não é legítimo", comentou, acrescentando que essa ação viola os tratados da União Europeia, que proíbe o financiamento direto de Estados pelo banco central.
O ex-membro do BCE também rejeita a ideia de qualquer país poder ficar na zona do euro a qualquer preço. "Isso cria a possibilidade de uma chantagem. A participação na moeda comum precisa ser permanentemente justificada".
Os comentários de Issing foram feitos em uma apresentação do seu recente livro sobre o euro e a Europa. As informações são da Dow Jones.
Siga o @EstadaoEconomia no Twitter
- 16:29 Navio se desprende do cais no Estaleiro ...
- 16:17 AL e África devem resolver seus ...
- 14:37 China e Suíça assinam acordo de ...
- 12:33 União bancária europeia deve começar ...
- 09:25 Viavarejo perde segundo alto executivo em ...
- 20:29 Codesp investigará quem ...
- 19:53 Setor público continua a pagar ...
- 19:43 Lagarde escapa de acusação na Justiça
- 18:34 Lei da doméstica pode aumentar rombo ...
- 18:29 Crédito tem a menor expansão em três ...








