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15 de Abril de 2010

 

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Alemanha não pode ser ‘chantageada’ a ajudar em razão da 2ª Guerra, diz ex-BCE

Além de coordenar a ajuda europeia aos países mais fragilizados do bloco, o país tem sido criticada por pressionar fortemente para reformas rígidas em troca do resgate

09 de agosto de 2012 | 13h 27
Álvaro Campos, da Agência Estado

FRANKFURT - O ex-membro do conselho diretivo do Banco Central Europeu (BCE) Otmar Issing afirmou que a Segunda Guerra Mundial não pode ser usada como uma forma de "chantagear" a Alemanha a ajudar os países debilitados da zona do euro.

Issing, alemão que foi do conselho do BCE de 1998 a 2006, continua influente nas questões de política econômica no seu país. Desde que deixou a instituição europeia, trabalha como consultor do governo alemão para assuntos financeiros e econômicos.

Em uma entrevista para a Dow Jones, Issing afirmou que, de uma perspectiva histórica, a Alemanha de fato está "em uma posição especial", mas 67 anos após o fim da guerra "a Alemanha não pode ser chantageada em função do seu passado". Segundo ele, isso é especialmente verdade no caso da ajuda aos países problemáticos da zona do euro, "que não resolve os problemas desses Estados".

Além de, na prática, coordenar a ajuda europeia aos países mais fragilizados do bloco, a Alemanha tem sido criticada por pressionar fortemente para a implementação de reformas rígidas em troca desse resgate, o que acaba intensificando a recessão em muitas economias. Enquanto isso, internamente o governo alemão enfrenta uma crescente frustração com o uso de recursos do país para ajudar os vizinhos, que mesmo assim não estão adotando as medidas prometidas.

Issing comentou ainda que é errado esperar que o Banco Central Europeu (BCE), cujo principal mandato é manter a estabilidade de preços, compre os bônus de países debilitados. "Isso não resolve os problemas e não é legítimo", comentou, acrescentando que essa ação viola os tratados da União Europeia, que proíbe o financiamento direto de Estados pelo banco central.

O ex-membro do BCE também rejeita a ideia de qualquer país poder ficar na zona do euro a qualquer preço. "Isso cria a possibilidade de uma chantagem. A participação na moeda comum precisa ser permanentemente justificada".

Os comentários de Issing foram feitos em uma apresentação do seu recente livro sobre o euro e a Europa. As informações são da Dow Jones.





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