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Aluguel de ações cresce 17% em 2012

De janeiro a junho, montante envolvido nessas operações alcançou R$ 458 bilhões; pessoas físicas já são 27,5% do total 

12 de agosto de 2012 | 23h 06
Yolanda Fordelone, de O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO - Cada vez mais conhecido pelos investidores, o aluguel de ações é uma oportunidade para garantir um rendimento extra na bolsa. Dados da BM&FBovespa mostram que o volume dessas operações atingiu R$ 458 bilhões entre janeiro e julho deste ano, o que representa um crescimento de 17% sobre o mesmo período do ano passado.

A quantidade de pessoas físicas que alugaram seus papéis também cresceu. Hoje, elas já representam 27,5% dos investidores que emprestam ações - a maioria é formada por investidores institucionais, como fundos de pensão e de investimento.

"O aluguel barateia o custo de ficar com a ação. Se a pessoa tem uma carteira de papéis e só pretende vendê-la no futuro, há um custo em manter o investimento", disse o economista-chefe da TOV Corretora, Pedro Paulo Silveira. "O dinheiro poderia estar em outros ativos mais rentáveis, dependendo do momento, como um título público."

O cenário de juro baixo, que diminuiu a rentabilidade da renda fixa e leva o investidor para outras aplicações, e uma tendência incerta para a bolsa também reforçam o interesse pelo aluguel de ações.

A operação começa quando o acionista informa à corretora que pretende alugar sua carteira ou parte dela. Podem ser negociadas ações, debêntures e até mesmo os fundos de índice (ETFs). A corretora faz a intermediação com a outra ponta do negócio, o tomador.

Pelo empréstimo da ação, o doador receberá do tomador um aluguel, que atualmente pode chegar a 29% ao ano sobre o valor do papel. O tomador, por sua vez, terá ganho se o valor da ação cair até o fim do contrato.

Um exemplo mostra como funciona: um doador aluga ao tomador uma ação de R$ 10 e cobra um aluguel de 20% sobre o valor. O tomador recebe a ação de R$ 10 e vende no mercado. Na data do encerramento do contrato, ele recompra para devolvê-la ao doador. Se o preço tiver caído, ele ganhará a diferença.

Ou seja, se o papel estiver em R$ 7, terá lucrado R$ 3. Desse valor, terá de descontar o aluguel. Nesse exemplo, o ganho final é de R$ 1. Já a corretora ganha porque cobra do tomador um porcentual do valor da operação.

"O doador é um investidor de longo prazo, que não se preocupa com as oscilações da ação no curto prazo, e ainda consegue um rendimento extra com o aluguel. Já o tomador é um investidor mais sofisticado, que sabe garimpar ações com tendência de queda. Na prática, sua estratégia é esperar o papel cair para recomprá-lo na bolsa e devolvê-lo ao investidor dono da ação", explicou o gerente do home broker do HSBC, Alessandro Mavignier.

Condições. A duração do contrato de aluguel varia de sete dias a três meses. O mais comum é 30 dias. Em geral, os contratos preveem que a devolução pode ser até antes do vencimento, caso o tomador queira. Se o tomador ficou com a ação emprestada só 20 dias, por exemplo, o investidor receberá a taxa de aluguel correspondente ao período.

No contrato, tomador e investidor definem a taxa de aluguel. Regra geral, se a perspectiva para a ação é de queda, a demanda pelo aluguel e a taxa aumentam. A liquidez também costuma interferir nessa negociação. Ações como Vale e Petrobrás, por exemplo, com muita oferta no pregão, geralmente pagam alugueis baixos (menores a 0,5% ao ano). Nesses casos, o investidor tem de fazer as contas para ver se vale a pena a operação.

Dentro da carteira do Índice Bovespa, as opções com melhor aluguel são B2W ON (15,58%), Marfrig ON (14,64%) e Brookfield (13,07%). Entre os bancos, Itaú Unibanco está com taxa interessante: 10,45% a ação ordinária e 5,75% a preferencial. Small caps - ações de empresas pouco negociadas - chegam a pagar 29% (Rasip Agro Pastoril ON).

Para minimizar o risco e garantir que o doador receba suas ações de volta, a bolsa exige que o tomador deixe sob custódia uma quantia equivalente a 100% do valor das ações emprestadas mais uma margem para possíveis oscilações do preço. A garantia pode ser em dinheiro, outras ações e títulos públicos, entre outras possibilidades.

Na data de devolução, caso o tomador não esteja com as ações em carteira, a bolsa e a corretora executam a garantia, compram os papéis no mercado e os devolvem.

Risco. Para o pequeno investidor que aluga seus papéis, o risco é o de mercado, de a estratégia do tomador estar certa e a ação se desvalorizar. "O investidor não pode vendê-la enquanto estiver com ela alugada. Por isso, o aluguel é indicado para quem aplica no longo prazo e não está acompanhando essa oscilação de curto prazo", disse Silveira, da TOV.

A operação, apesar de envolver ações, é considerada de renda fixa e, por isso, é tributada como tal. O Imposto de Renda varia de 22,5% (até seis meses de investimento) a 15% (acima de dois anos).





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