12:18


15 de Abril de 2010

 

Patrocinado por




Você está em Economia
Início do conteúdo

Ampliar investimentos não é o plano da Petrobrás, diz Graça Foster

Na primeira entrevista à imprensa, nova presidente da estatal afirmou que a prioridade no momento é trabalhar com foco no plano que está definido para o período entre 2011 e 2015

13 de fevereiro de 2012 | 19h 21
Mariana Durão, Sabrina Valle e André Magnabosco, da Agência Estado

Texto atualizado às 20h15

RIO - A presidente da Petrobrás Maria das Graças Foster afirmou nesta segunda-feira, 13, em sua primeira entrevista à imprensa, que a companhia não trabalha com a pretensão de ampliar os investimentos. A prioridade neste momento é trabalhar com foco no plano que está definido no horizonte 2011-2015. "Aumentar os investimentos não é o plano. Mas rever o plano é uma rotina da companhia. O plano está sempre em revisão", afirmou.

Após ser questionada diversas vezes sobre metas de produção e prazos futuros, Graça Foster afirmou que o Plano de Negócios 2011-2015 da companhia está "muito claro". "Sabemos o que fazer. Quem tem investimento de US$ 224,7 bilhões (até 2015), definiu caminho para cinco, seis, oito anos", destacou. As previsões de cronograma e números, entretanto, não foram reveladas pela executiva.

Ela disse que o que está no plano de negócios 2011-2015 da empresa está mantido. Graça salientou, no entanto, que a revisão anual de praxe do plano está sendo realizada e que a Petrobrás "está olhando com lupa" o que acontece na indústria nacional. "Tudo isso é colocado em cima de métricas e olhamos nossa condição de cumprir", disse.

A executiva disse que ainda não se debruçou sobre os dados de produção da companhia a ponto de definir alguma revisão de metas para 2012. "Ainda não enxerguei por dentro como gosto de fazer. Ainda não tenho um número para 2012", disse ela, destacando que há um número no plano de negócios e que ele será avaliado.

Segundo ela, a meta de produção é prioridade para a Petrobrás. Graça reconheceu a possibilidade de rever a meta da empresa. A executiva disse que vai rever pessoalmente a meta, agora com "cabeça de presidente", olhando os números de forma global.

A nova presidente da Petrobrás também afirmou que a política de conteúdo local não é discurso nacionalista, mas uma discussão técnica. Para Graça, a estatal passa por um aprendizado e tem que acompanhar tudo de perto para definir se o porcentual médio atual de 62% a 65% é o ideal.

Graça ressaltou que o conteúdo local ideal deve ser discutida projeto a projeto. "É sentar e discutir com o outro lado da mesa", disse ela.

Preço do combustível ficará estável

A executiva afirmou também que não pode passar a volatilidade do barril do Brent e do câmbio para o mercado. Segundo ela, manter uma certa estabilidade é importante para se ter um mercado saudável. A nova presidente da estatal disse que a manutenção de um mercado salutar é importante na espera pelas refinarias nas quais companhia está investindo.

Graça disse que não está programado o momento em que será feito um possível aumento de combustível no mercado interno. "O momento de aumento de combustível não está programado".

Graça também disse que, para a Petrobrás, não faz diferença a realização ou não neste ano da 11ª rodada de licitações pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). Graça disse reconhecer que a rodada faz diferença para suas concorrentes, que mostram ansiedade por dependerem da avaliação do potencial das áreas. "Não acontecer a 11ª rodada não modifica nossas prioridades", disse.

Novos leilões

Ela afirmou também que a presença da estatal em novos leilões de energia está condicionada à obtenção de licença prévia para a instalação de um quarto terminal de regaseificação na costa brasileira. "Se o leilão ocorrer em dezembro, muito provavelmente conseguiremos a licença até novembro e então podemos participar", disse a executiva, em coletiva de imprensa que acontece neste momento.

A ausência da Petrobrás no leilão de energia realizado no ano passado foi criticada por executivos do setor e desde então há temores de que a estatal volte a se ausentar de novos leilões. Segundo Graça, o ocorrido foi decorrente da mudança no edital proposto pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), que passou a exigir a licença do terminal antes de eventual inclusão de capacidade na linha de oferta e demanda.

Graça Foster destacou que a participação da Petrobrás em novos leilões não representa uma vitória confirmada. "Participar não significa ganhar. Com preços baixos da eólica, não temos competitividade com gás, com licença ou sem licença", afirmou.

Ela afirmou ainda que a participação da empresa em campos maduros será avaliada de acordo com o interesse econômico dessas áreas.

Segundo ela, as questões sobre campos maduros não são avaliadas pontualmente pela estatal, mas pelas sinergias entre os campos. "Ficaremos com os ativos que trouxerem resultados positivos para a Petrobrás", disse ela.

Foco da presidência será gestão

Graça disse que seu foco à frente da estatal será a gestão. Segundo ela, a Petrobrás tem trabalhado pela gestão em todas as suas áreas de negócios e que ela manterá esses conceitos na companhia, definindo claramente metas e indicadores.

A presidente afirmou ainda que continuará em busca das melhores práticas operacionais para colocar o petróleo de novas descobertas em produção. "Faremos um trabalho forte junto a fornecedores de bens e serviços para que não haja possibilidades de que exageros de preço e prazo possam atrapalhar a exploração de petróleo", garantiu.

Ela afirmou também que a segurança operacional será uma prioridade em sua gestão. Citando acidentes como o da BP, em Macondo, e o da Chevron, no Campo de Frade, Graça disse que o cumprimento de metas de segurança é um fator condicionante para que se defina a entrada de um campo em produção e pode, inclusive, ser posta à frente do cumprimento de prazos. "Minha perseguição de metas fica frágil em relação à segurança", disse.

A nova presidente afirmou que conversará amanhã com os novos diretores de Gás e Energia, Alcides Santoro, e de Produção e Exploração, José Formigli. Os dois serão empossados nesta terça-feira.

Graça fez o comentário em resposta a pergunta de jornalista sobre quem será o substituto de Formigli na gerência do pré-sal, cargo que o executivo ocupa até hoje. Graça disse que "não é muito de fazer mudanças", e que a tendência é ter "pouquíssimos movimentos". Já se dava como certo que Graça não anunciaria novas mudanças neste momento. O mercado, no entanto, não descarta trocas até o fim do ano.


Siga o @EstadaoEconomia no Twitter