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15 de Abril de 2010

 

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Apesar da crise, renda do trabalhador cresce

Em termos atualizados pela inflação, o rendimento mensal atingiu o maior patamar em 10 anos, a R$ 1.111

08 de setembro de 2010 | 10h 00
Alessandra Saraiva, da Agência Estado

RIO - Mesmo com a crise global e o aumento no contingente de desempregados, a renda média mensal real do trabalhador subiu 2,2% de 2008 para 2009, somando R$ 1.106 no ano passado. É o que mostrou nesta quarta-feira, 8, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2009, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em série histórica harmonizada pelo instituto devido aos efeitos de inflação no período de 1981 a 2009, o rendimento real médio mensal dos ganhos adquiridos pelo trabalho foi de R$ 1.111,00, o maior desde 1998, quando atingiu R$ 1.121,00.

A renda pesquisada abrange todos os ganhos gerados por trabalhos de pessoas de 10 anos ou mais de idade. De 2004 a 2009, o aumento acumulado da renda foi de 20%. A taxa de crescimento na renda entre 2008 e 2009 é maior do que a observada entre 2007 e 2008 (de 1,7%) mas ainda abaixo das apuradas nos períodos de 2006 a 2007 (de 3,1%) e de 2005 a 2006 (de 7,2%).

Segundo o instituto, o aumento na renda foi impulsionado por uma melhora na qualidade do emprego, com crescimento na quantidade de trabalhadores com carteira assinada. Em 2009, entre as 101,1 milhões de pessoas da população economicamente ativa, 91,7% estavam trabalhando e as demais, ou 8,3% do total, estavam procurando por trabalho. A pesquisa revelou que a população ocupada no mercado de trabalho ficou relativamente estável, em torno de 92,7 milhões de pessoas em 2009, um acréscimo de apenas 0,3% contra 2008 - sendo que, em torno de 42,9% da população ocupada trabalhava em atividades de serviços. No entanto, o número de empregados com carteira assinada subiu 1,5% entre 2008 e 2009, para 32,4 milhões de trabalhadores - um acréscimo de mais de 483 mil trabalhadores neste contingente em 2009, em relação a 2008.

O IBGE também destacou que se manteve em tendência de queda o índice de Gini da renda do trabalhador (escala entre 0 e 1, usada para mensurar desigualdade de renda, onde 0 corresponde à completa igualdade de renda e 1 corresponde à completa desigualdade). De 2008 para 2009, o indicador passou de 0,521 para 0,518.

Porém, no que se refere à comparação de renda entre homens e mulheres, o quadro ainda é desigual. Em 2009, o rendimento das mulheres do trabalho das mulheres foi de R$ 786, o que representou 67,1% do obtido pelos homens no mesmo ano (R$ 1.171). O instituto informou, porém, que o patamar de desigualdade já foi mais forte: em 2004, o porcentual de ganhos das mulheres representava 63,6% da renda de trabalho dos homens.

Ainda segundo o instituto, 90% das mulheres ocupadas no mercado de trabalho em 2009 realizavam também tarefas referentes aos afazeres domésticos. Entre os homens ocupados, esse porcentual era 49,7% no ano passado.

Renda domiciliar também avança

A renda média mensal das famílias subiu 1,5% em 2009 contra 2008, segundo o IBGE. De acordo com o levantamento, o rendimento médio mensal real domiciliar subiu de R$ 2.055,00 para R$ 2.085,00 de 2008 para 2009. Em série histórica harmonizada elaborada pelo instituto, no ano passado o rendimento real médio mensal domiciliar foi de R$ 2.099,00, o mais intenso desde 1997, quando registrou valor de R$ 2.149,00 de acordo com a série do IBGE.

Ainda segundo o instituto, a renda domiciliar tem apresentado crescimento nos últimos cinco anos, até 2009. O IBGE informou que, de 2004 para 2009, o aumento real da renda das famílias foi de 19,3%. A pesquisa apurou ainda que, de 2008 para 2009, todas as classes de renda, especialmente as mais baixas, apresentaram avanço nos ganhos mensais.

Outro ponto destacado pelo instituto foi o comportamento do índice de Gini do rendimento médio mensal real domiciliar (escala entre 0 e 1, usada para mensurar desigualdade de renda, onde 0 corresponde à completa igualdade de renda e 1 corresponde à completa desigualdade). De 2008 para 2009, o indicador recuou no período, de 0,514 para 0,509.


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