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15 de Abril de 2010

 

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Apetite de investidor estrangeiro por Petrobrás é incógnita

Analistas consultados pela Agência Estado avaliam que oferta de ações da Petrobrás deve gerar uma movimentação de posições entre os investidores estrangeiros nas próximas semanas

03 de setembro de 2010 | 18h 14
Luciana Xavier, da Agência Estado

NOVA YORK - O apetite do investidor estrangeiro pela capitalização da Petrobrás ainda é uma incógnita, avaliam analistas dos Estados Unidos e Canadá consultados pela Agência Estado. De qualquer modo, a oferta deve gerar uma movimentação de posições entre os investidores estrangeiros nas próximas semanas, acredita a analista independente Annette Hester, associada do Center for Strategic and International Studies (CSIS), que fica em Washington.

"Acho que vamos ver uma dança das cadeiras. Há certos fundos de pensão e grandes investidores estrangeiros que têm um limite porcentual para investir em óleo e gás e no Brasil", afirmou, por telefone, da ilha de British Columbia, no Canadá, país onde mora. "O investidor pode gostar ou não do preço, mas agora ele tem um preço para decidir", afirmou.

O valor da cessão onerosa para a capitalização será de US$ 42,533 bilhões, o equivalente em reais a R$ 74,807 bilhões. O valor médio do barril de petróleo ficou em US$ 8,51, considerado alto pelo mercado. A cessão é equivalente a 5 bilhões de barris de petróleo, que serão retirados de seis campos e mais um de reserva para o caso de não serem suficientes para completar o contrato. Os campos são: Tupi Sul, Florim, Tupi Nordeste, Peroba, Guará, Franco e Iara, sendo o campo de Peroba o definido como o de reserva.

Hester disse que mais do que o preço, o que o investidor terá que decidir é se quer estar exposto ao mercado brasileiro e ao mercado de petróleo brasileiro, levando em conta também que existem poucas opções além da Petrobrás. Segundo ela, é possível que fundos e investidores se desfaçam de suas posições em outras empresas ligadas a petróleo e gás, como OGX e Repsol, para participar da capitalização da Petrobrás. Outros, que haviam vendido as ações da Petrobrás, como George Soros, o BlackRock, além do banco brasileiro de investimentos BTG Pactual, podem voltar. Ou não. Hester acredita que haverá interesse do investidor estrangeiro pela oferta. "Mas o tamanho desse apetite do investidor ainda é uma incógnita", avalia a analista.

O diretor para América Latina do Eurasia Group, Christopher Garman, concorda que é difícil saber qual será o apetite do investidor estrangeiro pela oferta da Petrobrás. "O preço ofertado foi visto como alto demais, mas a Petrobrás é uma empresa bem posicionada e, no final das contas, o investidor está mais aliviado, porque com o preço final diminuíram as incertezas", afirmou.

Hester ressalta, no entanto, que as incertezas sobre o ambiente regulatório para exploração em águas profundas nos Estados Unidos devem beneficiar a Petrobrás. "Continua delicada a situação no Golfo do México e isso favorece a Petrobrás", analisou.

De qualquer maneira, ela avalia que o governo soube "costurar" bem essa capitalização, ao anunciar a Medida Provisória 500, que, entre outras coisas, aumenta o leque de possibilidades do governo caso o interesse do investidor seja menor do que o esperado. "O governo conseguiu assegurar que tem como reagir caso o mercado não mostre apetite, usando o Fundo Soberano do Brasil (FSB), por exemplo", afirmou. "A MP 500 conseguiu tirar o governo de um beco sem saída."

Garman diz que o tempo que o investidor terá para tomar sua decisão pode ser curto e o governo eventualmente poderia decidir adiar a capitalização para após as eleições. "É um fato que a candidata Dilma Rousseff (PT) deve ter uma vitória acachapante e, eu não veria com preocupação um adiamento. O investidor terá pouco tempo para ver laudos e pressupostos", disse.

Hester, por sua vez, não acredita que haverá qualquer adiamento. "O governo já colocou sua posição e a Petrobrás deu os prazos. Agora é o investidor dizer sim ou não (à oferta)".

A Petrobrás fará um roadshow para atrair investidores internacionais. A coleta de intenções de investimento da oferta de ações começou hoje, com encerramento no dia 23, mesmo período do roadshow. As ações da oferta internacional, inclusive sob a forma de ADS, começarão a ser negociadas na Nyse em 24 de setembro. Na BM&FBovespa, o início da negociação dos papéis da oferta será em 27 de setembro.


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