Apetite de investidor estrangeiro por Petrobrás é incógnita
Analistas consultados pela Agência Estado avaliam que oferta de ações da Petrobrás deve gerar uma movimentação de posições entre os investidores estrangeiros nas próximas semanas
NOVA YORK - O apetite do investidor estrangeiro pela capitalização da Petrobrás ainda é uma incógnita, avaliam analistas dos Estados Unidos e Canadá consultados pela Agência Estado. De qualquer modo, a oferta deve gerar uma movimentação de posições entre os investidores estrangeiros nas próximas semanas, acredita a analista independente Annette Hester, associada do Center for Strategic and International Studies (CSIS), que fica em Washington.
"Acho que vamos ver uma dança das cadeiras. Há certos fundos de pensão e grandes investidores estrangeiros que têm um limite porcentual para investir em óleo e gás e no Brasil", afirmou, por telefone, da ilha de British Columbia, no Canadá, país onde mora. "O investidor pode gostar ou não do preço, mas agora ele tem um preço para decidir", afirmou.
O valor da cessão onerosa para a capitalização será de US$ 42,533 bilhões, o equivalente em reais a R$ 74,807 bilhões. O valor médio do barril de petróleo ficou em US$ 8,51, considerado alto pelo mercado. A cessão é equivalente a 5 bilhões de barris de petróleo, que serão retirados de seis campos e mais um de reserva para o caso de não serem suficientes para completar o contrato. Os campos são: Tupi Sul, Florim, Tupi Nordeste, Peroba, Guará, Franco e Iara, sendo o campo de Peroba o definido como o de reserva.
Hester disse que mais do que o preço, o que o investidor terá que decidir é se quer estar exposto ao mercado brasileiro e ao mercado de petróleo brasileiro, levando em conta também que existem poucas opções além da Petrobrás. Segundo ela, é possível que fundos e investidores se desfaçam de suas posições em outras empresas ligadas a petróleo e gás, como OGX e Repsol, para participar da capitalização da Petrobrás. Outros, que haviam vendido as ações da Petrobrás, como George Soros, o BlackRock, além do banco brasileiro de investimentos BTG Pactual, podem voltar. Ou não. Hester acredita que haverá interesse do investidor estrangeiro pela oferta. "Mas o tamanho desse apetite do investidor ainda é uma incógnita", avalia a analista.
O diretor para América Latina do Eurasia Group, Christopher Garman, concorda que é difícil saber qual será o apetite do investidor estrangeiro pela oferta da Petrobrás. "O preço ofertado foi visto como alto demais, mas a Petrobrás é uma empresa bem posicionada e, no final das contas, o investidor está mais aliviado, porque com o preço final diminuíram as incertezas", afirmou.
Hester ressalta, no entanto, que as incertezas sobre o ambiente regulatório para exploração em águas profundas nos Estados Unidos devem beneficiar a Petrobrás. "Continua delicada a situação no Golfo do México e isso favorece a Petrobrás", analisou.
De qualquer maneira, ela avalia que o governo soube "costurar" bem essa capitalização, ao anunciar a Medida Provisória 500, que, entre outras coisas, aumenta o leque de possibilidades do governo caso o interesse do investidor seja menor do que o esperado. "O governo conseguiu assegurar que tem como reagir caso o mercado não mostre apetite, usando o Fundo Soberano do Brasil (FSB), por exemplo", afirmou. "A MP 500 conseguiu tirar o governo de um beco sem saída."
Garman diz que o tempo que o investidor terá para tomar sua decisão pode ser curto e o governo eventualmente poderia decidir adiar a capitalização para após as eleições. "É um fato que a candidata Dilma Rousseff (PT) deve ter uma vitória acachapante e, eu não veria com preocupação um adiamento. O investidor terá pouco tempo para ver laudos e pressupostos", disse.
Hester, por sua vez, não acredita que haverá qualquer adiamento. "O governo já colocou sua posição e a Petrobrás deu os prazos. Agora é o investidor dizer sim ou não (à oferta)".
A Petrobrás fará um roadshow para atrair investidores internacionais. A coleta de intenções de investimento da oferta de ações começou hoje, com encerramento no dia 23, mesmo período do roadshow. As ações da oferta internacional, inclusive sob a forma de ADS, começarão a ser negociadas na Nyse em 24 de setembro. Na BM&FBovespa, o início da negociação dos papéis da oferta será em 27 de setembro.
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