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Após novos dados negativos, Obama lança ofensiva por emprego

Presidente americano faz discurso em Detroit nesta segunda-feira em meio a críticas da oposição

05 de setembro de 2011 | 13h 04
Alessandra Corrêa, da BBC

WASHINGTON - Diante de um cenário preocupante na economia dos Estados Unidos, o presidente Barack Obama inicia nesta semana um novo esforço para convencer os americanos de que a Casa Branca está determinada a solucionar os problemas econômicos do país.

Obama vê diante de si um cenário agravado pelos últimos dados negativos sobre o mercado de trabalho, além de críticas cada vez mais incisivas por parte da oposição.

A agenda começa nesta segunda-feira, feriado de Dia do Trabalho nos Estados Unidos, com uma visita a Detroit, no Estado de Michigan, cidade que concentra a indústria automobilística do país e que foi fortemente afetada pela crise econômica.

Segundo a Casa Branca, durante a visita o presidente irá se reunir com trabalhadores e suas famílias para comemorar a data e "discutir seus esforços bipartidários para criar empregos e fortalecer a economia".

A maior expectativa, porém, é em relação ao discurso que Obama fará em sessão conjunta do Congresso na noite de quinta-feira, no qual deverá lançar um novo plano para criar empregos.

Ainda não foram divulgados muitos detalhes do plano, mas o presidente já antecipou que pretende lançar "uma série de propostas" ao Congresso para fortalecer pequenas empresas, gerar empregos e, ao mesmo tempo, colocar as contas em ordem, reduzindo o deficit orçamentário.

Desemprego

O discurso será feito ainda em meio ao impacto da divulgação, na última sexta-feira, de novos dados do Departamento do Trabalho segundo os quais os Estados Unidos não geraram empregos em agosto - primeira vez desde 1945 que a diferença entre o saldo de vagas criadas e o de vagas fechadas foi de zero.

A taxa de desemprego permaneceu inalterada em 9,1%, patamar "inaceitavelmente alto" e sem perspectivas de melhora no curto prazo, de acordo com o próprio governo.

Os novos dados negativos provocaram imediata reação do mercado de ações, com queda nas bolsas, e aumentaram a pressão para que o governo adote medidas de estímulo à economia, diante do temor de que o país mergulhe em uma nova recessão.

"(Os dados recentes) ainda não indicam que estamos caindo em uma recessão, mas o risco permanece alto, em torno de 40%", disse na sexta-feira o economista-chefe da consultoria IHS Global Insight nos Estados Unidos, Nigel Gault.

No fim de agosto, contrariando muitas previsões, o presidente do Fed (Federal Reserve, o banco central americano), Ben Bernanke, não deu indícios de que pretenda lançar terceira rodada do programa de relaxamento quantitativo.

Na segunda rodada, encerrada em junho, o Fed injetou US$ 600 bilhões (cerca de R$ 985 bilhões) na economia americana por meio da compra de títulos do Tesouro de longo prazo.

Críticas

As más notícias sobre o mercado de trabalho intensificam as críticas da oposição republicana a Obama, em um momento em que o presidente registra seus mais baixos índices de popularidade e que a campanha para a eleição presidencial de 2012 esquenta.

Na semana passada, logo após a divulgação dos números, o Comitê Nacional Republicano já cunhava um novo apelido para Obama: "Presidente Zero".

Pesquisas de opinião indicam que a economia e, especialmente, o desemprego, estão no topo da lista de preocupações dos eleitores.

Logo após voltar de férias, antes mesmo da divulgação dos dados do Departamento do Trabalho, Obama já havia anunciado a escolha de Alan Krueger, um especialista em mercado de trabalho, para chefiar o Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca.

Nesta semana, a expectativa é de que o desemprego e as dificuldades econômicas sirvam de munição contra Obama no debate republicano marcado para quarta-feira.

Os novos indicadores também devem ter influência sobre a maneira como o discurso do presidente será recebido pelo Congresso - que retoma suas atividades nesta semana após o recesso de verão (no hemisfério norte).

Impasses

A própria data do discurso já foi motivo de polêmica. Obama anunciou que falaria na quarta, mesmo dia do debate republicano. Depois de um impasse, e com a pressão do presidente da Câmara, o republicano John Boehner, o pronunciamento acabou sendo remarcado para quinta-feira.

Antes do recesso, as dificuldades nas relações entre a Casa Branca e o Congresso já haviam atingido um ponto alto durante as negociações para a elevação do teto da dívida americana, com um acordo fechado na última hora, depois de meses de impasse.

Na ocasião, a demora em chegar a um acordo para evitar o risco de calote levou a agência de avaliação de risco Standard & Poor's a rebaixar a nota dos Estados Unidos, no início de agosto, em uma decisão que provocou turbulência nos mercados.

Ao anunciar o discurso desta quinta-feira, a Casa Branca ressaltou mais de uma vez que o presidente quer evitar divisões partidárias.

No entanto, as propostas de Obama para gerar empregos serão apenas o primeiro tema de discussão nesta nova temporada no Congresso americano.

Entre os desafios à espera de democratas e republicanos está uma solução de longo prazo para reduzir o deficit e colocar as contas do país em dia. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.





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