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Baixo crescimento europeu afeta emergentes, diz Mantega

Ministro afirmou que os europeus apenas afastaram a crise com a reunião do fim de semana

04 de julho de 2012 | 10h 42
Francisco Carlos de Assis e Gustavo Porto, da Agência Estado

Atualizado às 14h02

SÃO PAULO - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta quarta-feira, em encontro com empresários em São Paulo, que os países em crise na Europa tomaram medidas que aliviam os problemas do setor bancário, mas que não resolveram os grandes problemas. "Vamos continuar com um quadro de baixo crescimento e a alta da taxa de desemprego na Europa", disse Mantega. Isso, segundo o ministro, tem afetado as economias emergentes. Ele citou, além da Índia, o próprio Brasil como economias que estão passando por desaceleração.

O ministro afirmou que a estratégia de crescimento em um cenário de crise é diferente de uma estratégia dentro de um cenário sem crise. Ele fez esta afirmação depois de ouvir queixas de empresários e economistas associados ao Grupo de Líderes Empresariais (Lide). Entre os queixosos, falaram o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, e o economista e presidente do Lide, Paulo Rabello de Castro, que defenderam medidas para a retomada do crescimento.

"É uma crise que começou diferente da de 2008, mas está gerando os mesmos efeitos deletérios", disse o ministro. Apesar disso, Mantega disse que o Brasil está mais preparado para enfrentá-la do que estava para enfrentar a crise de 2008.

Além do maior valor das reservas internacionais, ele lembrou que o governo brasileiro promoveu algumas mudanças de condução da política econômica. Entre elas, Mantega mencionou a redução da taxa básica de juros (Selic), que está em seu menor patamar histórico, a redução da taxa de juro real e a redução dos spreads bancários.

"Estamos com uma política monetária mais eficiente que opera o controle da inflação com juros cada vez menores e com reduções do spread. Estamos com política cambial mais ativa e que faz o real mais competitivo para a indústria", disse o ministro.

PIB

Mantega afirmou ainda que é possível um crescimento de 3,5% a 4% do Produto Interno Bruto (PIB) anualizado no segundo semestre de 2012. "Estou olhando para o segundo semestre, o primeiro foi fraco e no segundo semestre podemos crescer 3,5% a 4%. É claro que depende da atitude de todos", disse Mantega no seminário econômico Fiesp-Lide. Questionado sobre uma projeção para o ano, Mantega afirmou que "continuaremos lutando para ter o maior PIB possível para este ano" e que "não estou aqui para fazer projeções de PIB".

Mantega cobrou ajuda do setor empresarial, com investimentos, e dos bancos, com redução de spreads e aumento de crédito. "É preciso que o setor empresarial aumente investimentos, que o setor desperte o espírito animal e faça os investimentos, pois quem sai na frente tem vantagem", disse. "É preciso que haja mais crédito dos bancos, com spread caindo", completou.

O ministro afirmou que o real vai continuar desvalorizado e que beneficiará a produção brasileira. "Não vejo críticas ao câmbio, só dos que fazem especulação cambial, talvez. Fazemos a política correta e estamos com câmbio em posição que valoriza a economia brasileira. Quando a economia brasileira se rearranjar, vamos exportar mais", disse Mantega. "A economia avançou muito, desvalorizamos o cambio em 20%", acrescentou.

O ministro voltou a defender agressividade com a questão tributária e ainda afirmou que a desoneração da folha de pagamentos que entra em vigor em agosto para 15 setores "vai reduzir o custo". Mantega disse estar aberto ainda à inclusão de novos setores, mas avaliou que a medida, caso ocorra, terá de passar no Congresso e só entraria em vigor 30 dias depois de aprovada.

Mantega reafirmou ainda "que a crise é mais séria que todos imaginávamos" e que se aproxima em termos de consequência àquilo que aconteceu em 2008. "Já dissemos desde o ano passado que a crise é séria e não exageramos, mas temos mais condições de superá-la", concluiu Mantega, que voltou a cobrar a participação de empresários e banqueiros.

"Temos de ter ousadia para superá-la e não pode ser só do governo. O setor privado também tem de ser ousado e tem de acreditar que vamos reverter o quadro."





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