Banco da Inglaterra demorou a agir durante crise--ex-ministro
LONDRES - O Banco da Inglaterra, dirigido por Mervyn King, demorou para captar a natureza da crise financeira de 2007 e o então ministro britânico das Finanças, Alistair Darling, queria forçá-lo a agir, segundo relato feito por Darling em livro que será lançado na semana que vem.
Ao contrário de colegas de outros bancos centrais, o dirigente do banco central britânico relutou a princípio em responder quando os mercados se paralisaram em agosto de 2007.
Alguns críticos culparam a demora pela insolvência do Northern Rock, a primeira de um banco da Grã-Bretanha em mais de um século, a qual resultou na nacionalização da instituição.
"O Banco foi lento em reconhecer a natureza da crise", escreveu Darling em seu livro de memórias, de acordo com um trecho publicado neste domingo pelo jornal The Sunday Times.
Darling afirmou que queria que o BoE despejasse mais dinheiro nos mercados para promover os empréstimos entre bancos, mas King discordou. Seu argumento era que tal tipo de intervenção deixaria as instituições escaparem de uma situação difícil por terem fracassado em manter capital suficiente e, portanto, criaria "risco moral".
"Fiquei tão desesperado que pedi ao Tesouro para me orientar sobre se poderíamos ordenar que o Banco (da Inglaterra) agisse", escreveu Darling. "(Mas) uma briga pública entre mim e Mervyn seria desastrosa."
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