Bancos só veem queda do calote no 2º semestre
Itaú, Bradesco e Santander reservaram R$ 57,3 bi para se proteger da inadimplência, R$ 8,7 bilhões a mais do que determinam as regras do BC
Os três maiores bancos privados brasileiros acreditam que os índices de inadimplência só começarão a cair no segundo semestre, quando a economia deverá voltar a crescer mais fortemente. Por isso, mantiveram níveis elevados de provisão contra perdas na concessão de empréstimos, como mostram os balanços divulgados nas últimas semanas.
Juntos, Itaú, Bradesco e Santander reservaram R$ 57,3 bilhões para se proteger contra calotes, R$ 8,7 bilhões a mais do que determinam as regras do Banco Central (BC) e 22% mais do que no encerramento de 2010. "Na melhor das hipóteses, vemos a inadimplência estabilizada no primeiro semestre", afirmou o diretor executivo adjunto do Bradesco, Moacir Nachbar Junior.
"Tradicionalmente, a inadimplência sobe em início de ano, por causa das despesas extraordinárias nessa época. Além disso, acreditamos que, neste ano, a economia voltará a crescer mais fortemente apenas no segundo semestre", disse o diretor de controladoria e relações com investidores do Itaú, Rogério Calderón. Procurado, o Santander não se pronunciou sobre o assunto.
O analista de instituições financeiras da Austin Rating, Luís Miguel Santacreu, tem uma avaliação distinta. Para ele, os altos níveis de provisões ao final de 2011 indicam que os bancos ainda estão temerosos com a instabilidade da economia global.
"Os valores das provisões são muito elevados e se justificam se a crise internacional piorar a ponto de desencadear uma alta da inadimplência em alguns segmentos do crédito aqui dentro", observou. Foi o que ocorreu no último trimestre de 2008, quando a quebra do banco de investimentos americano Lehman Brothers praticamente paralisou a economia mundial.
Santacreu cita como exemplo o Bradesco. O colchão de calote adicional ao que exige o Banco Central em 2011 é proporcionalmente maior que o do fim de 2008, no auge da crise. Naquele momento, as provisões totais do Bradesco somavam R$ 10,3 bilhões, sendo R$ 1,6 bilhão além das regras do BC - 15,7% do total. No fim de 2011, esses números eram, respectivamente, R$ 19,5 bilhões e R$ 4 bilhões. Ou seja, 20,5%.
Em alta. O cenário de calote de fato piorou ao longo de 2011, em especial no segundo semestre, quando a economia desacelerou. No terceiro trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) ficou estagnado. Os dados oficiais do quarto trimestre ainda não foram divulgados, mas a expectativa da maior parte dos analistas é de uma expansão modesta.
Segundo o Banco Central, a inadimplência das pessoas físicas atingiu em dezembro o maior nível de 2011 - 7,3%, mesmo índice de novembro. Para se ter uma ideia, em janeiro, o porcentual era de 5,7%. Entre as empresas, o indicador não teve tantas alterações ao longo do ano: foi de 3,6% em janeiro para 3,9% em dezembro. Como a economia deve responder aos estímulos do governo apenas no segundo semestre, a expectativa dos executivos de bancos é de que o cenário do primeiro semestre deste ano seja semelhante ao do segundo semestre de 2011. Daí a cautela adicional expressa nas provisões.
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