Barclays nomeia novo presidente do conselho
David Walker, de 73 anos, assume o cargo em novembro no lugar de Marcus Agius, primeiro executivo a renunciar após o escândalo da Libor
LONDRES - O Barclays informou ontem ter escolhido David Walker para o cargo de presidente do conselho administrativo. O anúncio segue-se à renúncia de Marcus Agius e de vários outros executivos de alto escalão, incluindo o presidente executivo Robert E. Diamond Jr., em consequência do escândalo sobre a manipulação da taxa Libor que lançou na lama o banco britânico.
Com a nomeação de Walker, que ocupava um dos mais altos cargos no Banco da Inglaterra, o banco central do país, o Barclays tenta dar uma resposta à pergunta sobre a filosofia da empresa que levou à manipulação da taxa interbancária de Londres.
Funcionários do governo britânico questionaram o estilo de gestão de Diamond, que se candidatou a um dos cargos mais altos da instituição no fim de 2010, segundo documentos divulgados pelo Banco da Inglaterra.
O escrutínio ao qual Diamond e a governança do banco estão sendo submetidos vinha ocorrendo meses antes de o Barclays ser criticado por tentar manipular a Libor.
O executivo britânico será encarregado de encontrar um substituto para o cargo de presidente executivo do banco, até agora ocupado por Diamond .
Walker tem dezenas de anos de experiência. Ele é o responsável por estudo encomendado pelo governo sobre as práticas usadas nos serviços financeiros do país, bem como uma investigação no Royal Bank of Scotland, no qual o governo detém 82%, depois que a instituição recebeu sua ajuda.
O executivo, que solicitou às instituições bancárias que apresentem novas informações sobre as bonificações pagas a altos executivos, é muito respeitado no setor como especialista em governança corporativa.
"David Walker tem muito prestígio no setor de serviços financeiros e trará consigo uma imensa experiência, integridade e conhecimento", disse Agius em um comunicado.
Walker, de 73 anos , já foi presidente do conselho do Morgan Stanley International, e atualmente era assessor sênior no banco americano. Ele também ocupou postos de alto escalão no Lloyds Banking Group e na Legal & General, empresa que presta serviços de previdência, entre outros.
Na transição, Walker se tornará um diretor não executivo a partir de setembro, antes de assumir a presidência da instituição posteriormente.
Embora o banco continue em busca de um novo presidente executivo, é improvável que tome uma decisão definitiva a esse respeito antes de Walker assumir o cargo.
Pressa. O banco britânico agiu rapidamente para encontrar um substituto para Agius, o primeiro executivo do Barclays a renunciar por causa do escândalo da Libor. Depois de aceitar um acordo de US$ 450 milhões com autoridades americanas e britânicas, no fim de junho, o Barclays continuou sendo criticado pelos políticos de ambos os lados do Atlântico.
No mês passado, Marcus Agius disse que a principal prioridade da companhia era encontrar um novo presidente do conselho antes de se preocupar com a busca de um presidente executivo.
Com a nomeação de Walker, o Barclays espera concluir a investigação referente à Libor.
As autoridades reguladoras destacaram problemas com a governança corporativa do banco, incluindo tentativas de evitar o pagamento de cerca de US$ 770 milhões de impostos, e questionaram alguns dos métodos contábeis da instituição.
"O Barclays muitas vezes parece tentar se beneficiar do uso de estruturas complexas, ou defender determinadas estratégias regulamentadoras, que favorecem o lado agressivo da interpretação de regras e regulamentos relevantes", disse Adair Turner, presidente do conselho da Autoridade de Serviços Financeiros, a entidade reguladora do país, em carta ncaminhada a Agius no início deste ano. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA
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