BC americano diz estar preparado para novas ações, se necessário
Ben Bernanke, presidente do Federal Reserve, afirmou que o banco central estava otimista demais e que os dados econômicos mais recentes são decepcionantes
NOVA YORK - O presidente do Federal Reserve dos EUA, Ben Bernanke, afirmou que o banco central estava otimista demais com a recuperação da economia e que os dados econômicos mais recentes têm sido "um pouco decepcionantes".
Em uma entrevista coletiva após o Fed anunciar a manutenção da taxa básica de juros entre zero e 0,25% e a prorrogação da Operação Twist até o fim deste ano, Bernanke defendeu o Fed de críticas de que a autoridade monetária não está fazendo todo o possível para ajudar a economia. Segundo ele, o Fed está fornecendo estímulos consistentes para a economia e mantém uma postura altamente acomodatícia.
"Nós podemos reduzir mais as taxas de juros" com a extensão da Operação Twist, comentou ele, afirmando que a decisão de prorrogar o programa, com um volume adicional de cerca de US$ 267 bilhões, é um passo "substancial".
Segundo ele, a Operação Twist não reduz apenas os juros das hipotecas, mas age também por meio de outros canais, como por exemplo ao incentivar os investidores a mudarem para títulos alternativos, como bônus corporativos, ou levando um banco a fazer um empréstimo após vender títulos do Tesouro.
Bernanke afirmou que a "política monetária ainda tem alguma capacidade de fortalecer a economia, ao suavizar as condições financeiras", mas alertou que ela não é uma "panaceia".
O presidente do Fed também disse que os indicadores econômicos recentes têm sido difíceis de interpretar. "Ainda há muito a ser discutido para que se possa fazer novas análises sobre para onde a economia está indo". Mas ele acredita que os riscos de baixa para a economia tiveram leve queda recentemente.
Bernanke ainda comentou que todas as medidas de política monetária extraordinárias têm seus custos e riscos associados, como o funcionamento do mercado, e que o Fed não deve tomar decisões como essas "levianamente".
Ben Bernanke, afirmou também que, caso o Congresso e a Casa Branca não evitem um impasse sobre a dívida do governo no fim deste ano, isso pode prejudicar significativamente a economia do país.
Bernanke alertou que as incertezas que rondam a combinação dos cortes de gastos compulsórios e do vencimento de benefícios tributários, que acontecerão quando a dívida do país atingir o teto estabelecido pelo Congresso - o que deve ocorrer no fim deste ano ou no início de 2013 - podem pesar sobre o crescimento econômico.
"Os mercados financeiros não gostam de incertezas, em especial incertezas dessa magnitude", comentou Bernanke. Segundo ele, o chamado "impasse fiscal" pode afetar a criação de empregos, a concessão de empréstimos e outro importantes fatores da economia.
Membros dos partidos Republicano e Democrata têm ressaltado a necessidade de lidar com o impasse fiscal, mas a paralisia em função das eleições tem levantado dúvidas sobre como e quando o Congresso e a Casa Branca conseguirão chegara um acordo.
O período logo após o pleito, em novembro e dezembro, é visto como o mais provável para os políticos agirem, embora alguns legisladores argumentem que será tarde demais para evitar um impacto negativo na economia.
As informações são da Dow Jones
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