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15 de Abril de 2010

 

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BC avisa que atuará 'prontamente' para conter pressão inflacionária

Segundo ata do Copom, decisões sobre o juro têm como objetivo 'assegurar a manutenção da convergência da inflação para a trajetória de metas'

04 de fevereiro de 2010 | 10h 31
Fabio Graner e Fernando Nakagawa, da Agência Estado

BRASÍLIA - O Comitê de Política Monetária (Copom) afirmou, na ata da reunião da semana passada divulgada nesta quinta-feira, 4, que está pronto para reagir rapidamente a uma eventual piora do cenário para a inflação. De acordo com o trecho do documento, "na eventualidade de se verificar deterioração do perfil de riscos que implique alteração do cenário prospectivo traçado para a inflação, neste momento, pelo Comitê, a estratégia de política monetária será prontamente adequada às circunstâncias".

A ata ressaltou que as decisões sobre o rumo do juro básico da economia têm como objetivo "assegurar a manutenção da convergência da inflação para a trajetória de metas em 2010 e 2011". Para esses dois anos, o centro da meta é de 4,50%. Foi retirada do documento a avaliação, que constava no documento de dezembro, que afirmava que "as expectativas inflacionárias para 2010 e 2011 continuam em patamar consistente com a trajetória das metas". 

O Copom disse ainda que, diante dos sinais de retomada da demanda, "cabe à política monetária manter-se especialmente vigilante para evitar que a maior incerteza detectada em horizontes mais curtos se propague para horizontes mais longos".

Na ata, os membros do Comitê afirmam que os efeitos dos estímulos econômicos, principalmente os fiscais e creditícios, adotados nos últimos meses "deverão contribuir para a consolidação da retomada da atividade e, consequentemente, para a redução na margem residual de ociosidade dos fatores produtivos".

Diante da perspectiva de ocupação da capacidade instalada da economia, o BC entende que "os efeitos desses estímulos devem ser cuidadosamente monitorados ao longo do tempo e serão parte importante do contexto no qual decisões futuras de política monetária, que devem assegurar a manutenção da convergência da inflação para a trajetória de metas em 2010 e 2011, serão tomadas".

Entre esses estímulos, os diretores do BC afirmam que "depois de breve contração, a demanda doméstica se recuperou, em grande parte graças aos efeitos de fatores de estímulo, como o crescimento da renda e a retomada do crédito". Em outra frente, "importantes estímulos fiscais e creditícios foram aplicados na economia nos últimos trimestres".

'Alta dos preços pode chegar ao consumidor'

Para o Copom, esse quadro de pressão da demanda doméstica também eleva a possibilidade de que eventuais pressões localizadas nos preços, como no atacado, poderiam ser repassadas aos preços ao consumidor. "O Comitê avalia que a materialização desse repasse, bem como a generalização de pressões inicialmente localizadas sobre preços ao consumidor, segue dependendo de forma crítica das expectativas dos agentes econômicos para a inflação", cita o documento, no parágrafo 19.

Os diretores do Comitê observam também que a demanda interna elevada "poderia exercer certa pressão sobre os preços dos itens não transacionáveis, como os serviços, nos próximos trimestres". Diante desse quadro, o Copom afirma que continuará "monitorando com particular atenção o comportamento das expectativas de inflação, que se elevaram no trecho intermediário do horizonte de projeção desde sua última reunião". O último encontro do Copom, antes do realizado no fim de janeiro, ocorreu no início de dezembro de 2009.

Sinais de recuperação da economia

Ao longo da ata, o Copom volta a ressaltar que a acomodação da demanda vista em período recente no Brasil "mostra sinais consistentes de superação". A avaliação revela diferença de tom em relação ao documento anterior, de dezembro de 2009, quando os diretores afirmavam que a acomodação da demanda estava "sendo superada".

No trecho 24 do texto, o colegiado afirma que a demanda reprimida havia sido "motivada pelo aperto das condições financeiras e pela deterioração da confiança dos agentes, bem como pela contração da economia mundial". Mas que, agora, há sinais de reversão, "ainda que persista incerteza, que deverá ser dirimida ao longo do tempo".


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