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15 de Abril de 2010

 

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BC do Japão não altera política, mas amplia sinal de preocupação com iene

BOJ manteve taxa básica de juros em 0,1%, nível mantido desde dezembro de 2008

07 de setembro de 2010 | 9h 48
Patricia Lara, da Agência Estado

TÓQUIO - O Banco do Japão (BOJ, na sigla em inglês) manteve as condições ultra flexíveis de sua política monetária em reunião encerrada na madrugada desta terça-feira, 7. Mas o Banco Central japonês expressou profunda preocupação em relação à recente apreciação do iene para o maior nível em 15 anos, enfatizando que tomará ações apropriadas e pontuais para proteger a economia dos crescentes riscos negativos.

Contextualizando a decisão do conselho do BC de implementar um afrouxo emergencial em sua política monetária na semana passada, o governador da autoridade monetária, Masaaki Shirakawa, sinalizou que o BC não será forçado a agir por movimentos de curto prazo nos mercados financeiros, mas, ao invés disso, ajustará a política com base em sua avaliação sobre a perspectiva econômica.

Mas, em entrevista coletiva concedida após a votação do BOJ, Masaaki esclareceu que a despeito da nova postura mais resistente do BOJ, não vai fechar os olhos para a apreciação da moeda japonesa e alertou para os perigos que a valorização da divisa gera para a economia local, que depende fortemente de exportações.

"Nós estamos conscientes de que os exportadores japoneses têm sido afetados, significativamente, pelo vigor do iene", disse Shirakawa, acrescentando que o BOJ está "observando com cuidado" o impacto do iene forte na economia japonesa.

Ele enfatizou que o BC vai ponderar as opções políticas possíveis, incluindo os méritos e deméritos, enquanto levará em consideração os desdobramentos da economia, do mercado financeiro e de preços. "Nós sempre estamos considerando várias opções de política possíveis", disse. "Após o estudo dos méritos e deméritos dessas opções, nós implementamos as medidas mais apropriadas. Esta é a nossa postura", completou.

Em sua decisão anunciada nesta terça, o BOJ disse que "examinará cuidadosamente a perspectiva para a atividade econômica e preços e, se julgar necessário, adotará medidas no momento preciso e apropriado".

Para Mari Iwashita, economista da Nikko Cordial Securities, o acréscimo de uma linha sobre potenciais ações futuras no comunicado divulgado simultaneamente à decisão da taxa de juros pelo BOJ "aparentemente torna mais provável a aplicação de medidas de afrouxamento à frente". Essa percepção derrubou o juro dos títulos governamentais japoneses.

Após a reunião de dois dias do comitê de política monetária, o BOJ decidiu por unanimidade manter a taxa básica de juros ("overnight call loan rate") em 0,1% - nível em que ela se encontra desde dezembro de 2008.

Na semana passada, esse comitê concordou em afrouxar a política monetária pela adição de 10 trilhões de ienes (US$ 117,98 bilhões) em empréstimos de seis meses para as instituições financeiras, a uma taxa de juros de 0,1%, além dos 20 trilhões de ienes em empréstimos de três meses que já haviam sido oferecidos anteriormente.

O financiamento adicional destina-se a reduzir as taxas de juros interbancárias e, assim, ajudar a parar, ou pelo menos retardar, o recente fluxo pesado de fundos para o iene.


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