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BC já espera que inadimplência só volte a acomodar no fim do ano

Autoridade monetária mudou o tom em relação à retração dos calotes dos consumidores 

26 de junho de 2012 | 13h 50
Fernando Nakagawa e Eduardo Cucolo, da Agência Estado

BRASÍLIA - O Banco Central mudou um pouco de tom ao tratar das perspectivas para a inadimplência na pessoa física. Se até o mês passado a previsão era de que o problema iria se acomodar e começar a cair durante o 2º semestre, agora a instituição já fala que o problema só começará a se reverter no fim do ano. A espera parece ter sido postergada. "A expectativa é que haja acomodação e retração até o final do ano na (inadimplência da) pessoa física", disse o chefe do departamento econômico do Banco Central, Túlio Maciel.

No mês passado, a afirmação foi um pouco diferente. "Estamos atentos, principalmente nesse patamar ainda alto, mas a expectativa é que, com o crescimento e a geração de emprego e renda, ela venha a se acomodar e reverter lá na frente", disse Túlio um mês atrás, quando divulgou dados de abril.

Mesmo com esse aparente adiamento para a solução dos calotes, Maciel mantém o discurso otimista. Para isso, citou como argumento os dados de atrasos - falta de pagamento entre 15 e 90 dias. Esse problema diminuiu em maio, de 7% para 6,7% dos financiamentos às famílias. O técnico do BC argumenta que isso pode indicar melhora futura da inadimplência - falta de pagamento de mais de 90 dias.

Em maio, segundo a instituição, os atrasos diminuíram em todas as linhas para pessoas físicas. Maciel destacou em especial a melhora nos financiamentos para compra de veículos, cujo porcentual de atraso caiu de 8,6% para 8,5%, a primeira queda desde dezembro do ano passado.

A expectativa de uma reversão do quadro prevalece mesmo com a inadimplência recorde, mercado de trabalho com menos fôlego e os alertas do Banco de Compensações Internacionais (BIS na sigla em inglês) sobre um patamar supostamente elevado de endividamento no País.

Ao ser questionado sobre o documento do BIS, Maciel minimizou e disse que algumas afirmações "não são procedentes no caso brasileiro". Para o técnico, não há risco no ritmo de expansão de crédito no Brasil, pois os financiamentos cresceram junto com a renda e com o emprego. "Essa é a melhor forma de crescimento do crédito", afirmou. "Não há risco. O BC está muito tranquilo em termos da sustentabilidade da expansão do crédito", diz.





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