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BC não faz papel de avestruz, diz Tombini sobre o caso do Cruzeiro do Sul

Presidente do BC não negou que a autoridade monetária teria constatado a existência de uma ‘lavanderia de dinheiro’ no banco

12 de junho de 2012 | 13h 01
Eduardo Cucolo e Fernando Nakagawa, da Agência Estado

BRASÍLIA - O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou que as 128 instituições financeiras classificadas como pequenas e médias representam cerca de 17% dos ativos, 13% da carteira de crédito e 15% dos depósitos bancários. Afirmou ainda que esses bancos têm apresentado nível de capital satisfatório, com índice de Basileia de 17%, acima dos 16% de todo o sistema financeiro nacional.

Para Tombini, esse é um segmento que tem liquidez e provisionamento satisfatórios e que o caso do Cruzeiro do Sul é uma questão isolada. "Nossa fiscalização está atuando de forma intensa. O BC não faz papel de avestruz." Tombini reconheceu que instituições financeiras em funcionamento estão sujeitas a eventuais "tropeços". Os casos, inclusive, não seriam tão incomuns. Tombini também foi questionado e não negou que a autoridade monetária teria constatado a existência de uma "lavanderia de dinheiro" no Banco Cruzeiro do Sul.

"Sempre que situações são detectadas, autuamos e fazemos as denúncias como foi o caso", disse, ao ser questionado sobre a existência de eventual "lavanderia de dinheiro" no Banco Cruzeiro do Sul, que recentemente sofreu intervenção do BC.

"Esse é o nosso cotidiano. Instituições que estão funcionando podem tropeçar e podem gerar situações de descumprimento de normas do Conselho Monetário Nacional ou do Banco Central", disse em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal. "No trabalho do BC, nos deparamos com situações em que a investigação é aprofundada. Eventualmente, essas situações são relatadas para outros órgãos, como o Ministério Público Federal", respondeu.

Tombini comentou que a instituição "tem instrumentos e pode cobrar mais capital, mais controle, mais requerimento de liquidez" aos bancos que não cumprem as regras e parâmetros exigidos pelo BC. "Temos como identificar problemas, temos instrumentos para fazer isso". O presidente do BC afirmou que, quando problemas são identificados, os casos são investigados e há consequências para os responsáveis.

O presidente do BC participa de audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. 

Questionado pela senadora Ana Amélia (PP/RS) sobre a situação financeira do banco Santander, com sede na Espanha, destacou que o governo brasileiro só autoriza a entrada no País de bancos que montem uma subsidiária integral, com todo enquadramento feito de acordo com as regras locais e baseado nos ativos no País.





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