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Brasil aproveita pouco comércio internacional, diz Edmar Bacha

‘A menos que haja um milagre brasileiro da reabertura da economia, que foi frustrada, vamos continuar crescendo a 3,5%’, afirmou economista

10 de agosto de 2012 | 19h 18
Vinicius Neder, da Agência Estado

RIO - A falta de abertura externa pode ser uma explicação para a dificuldade de a economia brasileira crescer de forma sustentada acima de 4%. A hipótese foi defendida nesta sexta-feira pelo economista Edmar Bacha, fundador e diretor do Instituto de Estudos de Política Econômica Casa das Garças, em palestra durante seminário no Rio.

Segundo o economista, um dos formuladores do Plano Real, o Brasil importa o equivalente a 11% a 13% do PIB, muito menos do que seus pares latino-americanos e dos Brics e do que a média mundial, de 23% a 28% do PIB. Os dados referem-se ao período de 2007 a 2011.

"A menos que haja um milagre brasileiro da reabertura da economia, que foi frustrada, vamos continuar crescendo a 3,5%", declarou Bacha em palestra no seminário "Para onde vai a América Latina", organizado pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV). "Aproveitamo-nos muito pouco do comércio internacional para aumentar a produtividade da economia", completou o economista após sua apresentação.

Bacha citou o fato de a Embraer importar cerca de 70% dos componentes dos aviões que exporta. "A Embraer é o exemplo típico de algo que deu certo depois da privatização. Mas deu certo porque não tem essa política estúpida de componentes nacionais que estão aplicando na indústria do pré-sal. Essa política vai impedir que a gente chegue ao pré-sal", explicou Bacha.

Dessa forma, segundo o economista, a indústria nacional fica de fora das cadeias produtivas globais e, ao mesmo tempo, ocorre a desindustrialização. "Reagir à desindustrialização com política de conteúdo nacional é uma estupidez", completou Bacha. A forma de combater seria abrir mais a economia, para "termos mais Embraers".

"O problema daqui é que essa política é incapaz de escolher", disse Bacha.

De acordo com o economista, setores "perdedores" em termos de competitividade industrial se mantêm com políticas como a exigência de conteúdo nacional. Além disso, o modelo histórico de industrialização no Brasil, com protecionismo, contribuiu para a redução da produtividade da poupança.

Em sua palestra, marcada por uma série de cálculos comparativos entre o crescimento econômico da década de 1960 à de 1980 e o avanço de 2004 a 2011, Bacha defendeu que o problema crônico da economia brasileira não são as baixas taxas de poupança e de investimento, mas sim o pouco que se investe com os recursos disponíveis.





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