Brasil questionará na OMC subsídios chineses às exportações
Subsídios seriam ilegais e estariam distorcendo o comércio mundial e dando vantagens desleiais ao país asiático; Pequim passa amanhã por sabatina na entidade máxima do comércio
GENEBRA - O Brasil vai questionar na Organização Mundial do Comércio (OMC) o que suspeita ser massivos subsídios ilegais do governo chinês para seus diversos setores industriais e agricolas, prática que estaria distorcendo o comércio mundial e dando vantagens desleais para as exportações de Pequim. O governo brasileiro promete também cobrar explicações sobre uma série de barreiras à importação criada na China. Na avaliação do Brasil, há um desequilíbrio cada vez mais importante entre o que o País exporta e o que a China coloca no mercado nacional.
VEJA TAMBÉM
Amanhã, a OMC realiza sua sabatina sobre a política comercial chinesa, evento que será marcado por uma chuva de críticas contra a China. Estados Unidos e Europa prometem usar a ocasião para denunciar práticas ilegais de comércio e colocar pressão sobre Pequim. Não se trata de um contencioso. Mas a sabatina serve para que países levem à público suas insatisfações.
O Itamaraty vai à OMC com uma verdadeira artilharia, principalmente para esclarecer o tamanho da ajuda do estado a alguns setores, o que já se denomina como uma verdadeira "caixa preta" na expansão comercial chinesa. Na Europa, as autoridades de Bruxelas já acusam a China de promover uma "economia estatal de mercado", numa referência ao peso do estado dentro do setor produtivo.
Com reservas de US$ 3,2 trilhões, a China é acusada de ter financiado de forma ilegal sobre competitividade. Desde 2009, Pequim é o maior parceiro comercial do Brasil e o maior exportador do mundo. Mas pacotes generosos do estado chinês a diversas áreas e a falta de transparência em muitos dos setores fazem países em todo o mundo pressionar por uma resposta de Pequim sobre como é realizado o financiamento à produção.
O Brasil quer saber, por exemplo, como funcionam as empresas estatais no setor agrícola e gestão das quotas tarifárias por essas empresas. Segundo a OCDE, de um apoio inexistente à agricultura em 1999, o governo chinês passou a subsidiar a produção em quase 20% de seu valor em 2010. O Brasil também quer saber quanto se gasta subsidiando a compra de materiais agrícolas.
Mas é no setor industrial que estão as maiores preocupações. O Brasil cobrará explicações sobre as políticas de apoio ao setor automotivo e sobre as exigências de exportação para empresas que queiram investir na China.
O Itamaraty também quer saber os recursos alocados ao "plano de revitalização"de nove setores industriais, entre eles siderurgia, têxteis, automotivo, petroquímicos, máquinas e equipamentos, eletrônicos. O Brasil ainda cobrará esclarecimentos sobre como incentivos são dados à indústria e quais são os critérios para que empresas recebam créditos à exportação
Barreiras
O Brasil também atacará as barreiras às importações na China, com a imposição de padrões, o questionamento de procedimentos para investigação de dumping e o tempo de trânsito alfandegário. Na lista de ataques também estará uma crítica aos métodos de valoração aduaneira, as listas de importações proibidas e a demora em conceder licenças de importação.
Siga o @EstadaoEconomia no Twitter
- 22:09 Reajuste em SP apressa votação ...
- 21:53 Lula: Brasil será a 5ª economia do mundo ...
- 21:46 Lula destaca políticas de integração ...
- 21:45 Lula: apoio africano foi fundamental ...
- 21:33 Multa de FGTS pode não valer para doméstica
- 20:40 Minuta de aeroportos vai a consulta ...
- 20:37 Confaz regulamenta resolução de ICMS ...
- 20:18 Relator propõe fim da multa do FGTS ...
- 20:12 Presidente da Infraero nega atraso ...
- 19:25 Reajuste de ônibus e metrô em SP ...









