Capitalização custará R$ 505 milhões
Petrobrás gastará os recursos em comissões para os 18 bancos contratados para coordenar a operação, advogados, consultores e taxas
SÃO PAULO - A maior operação de emissão de ações da história vai custar à Petrobrás R$ 505 milhões. Esse é o cálculo feito pela estatal para os gastos com a contratação de bancos coordenadores, auditores e advogados, além das taxas e impostos que incidirão sobre o processo.
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A Petrobrás espera captar pelo menos R$ 128 bilhões. Enquanto 68% das receitas deverão ser usadas para a compra de reservas do pré-sal, 32% serão destinadas para investimentos.
Divulgado na sexta-feira, o prospecto preliminar da oferta de ações dá uma ideia da complexidade da capitalização, que pode levar a estatal ao posto de segunda maior companhia das Américas em valor de mercado. Ao todo, 18 bancos foram contratados para coordenar a operação, grupo que será liderado pelo Bradesco e receberá R$ 233,9 milhões para executar o serviço, segundo projeção da estatal.
Advogados e consultores. As projeções de gastos preveem ainda R$ 300 mil com auditores, R$ 2 milhões com advogados e consultores, R$ 14,7 milhões com publicidade e R$ 254 milhões com "outras despesas", que incluem taxas da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), da Securities and Exchange Comission (SEC, o regulador do mercado de capitais norte-americano), a emissão de certificados de ações nos Estados Unidos e impostos.
Os valores estão sujeitos a mudanças, pois parte das comissões dos bancos é calculada sobre o preço final das ações. No prospecto, são usadas as cotações do dia 1º de setembro, que são menores do que o fechamento da última sexta-feira, quando as ações dispararam por conta da divulgação do prospecto. Ao preço constante no documento, a operação vai custar à estatal R$ 0,13 por nova ação emitida.
Mantidas as premissas do prospecto, a empresa atingirá com facilidade seus principais objetivos: reduzir o nível de endividamento e captar recursos para investimentos. No primeiro caso, projeção feita por especialistas aponta que a alavancagem (relação entre dívida e patrimônio) da companhia cairá para pelo menos 24,5%, bem abaixo do limite de 35% imposto por sua política de gestão de dívida.
Já no caso dos investimentos, a empresa estima que terá entre R$ 35 bilhões e R$ 40 bilhões em recursos livres para investir após a operação - o número final depende do preço da ação e da adesão dos acionistas. O restante da arrecadação será usado para pagar o governo pelas reservas da cessão onerosa de barris do pré-sal, contrato de R$ 74,8 bilhões. Quanto maior for a capitalização, mais sobra caixa para investimentos.
O valor final das ações será anunciado no dia 23 de setembro, após o processo de formação de preços (bookbuilding) que considera o interesse de investidores institucionais pelos papéis. A empresa inicia na próxima semana uma apresentação da oferta aos investidores.
Reforço
Ontem, o Banco Industrial e Comercial da China (ICBC, na sigla em inglês) anunciou que foi contratado pela Petrobrás para reforçar o time de bancos coordenadores da operação. Em comunicado, o ICBC afirmou que essa é a primeira vez que um banco de investimento chinês tem papel importante em uma grande emissão de ações fora dos mercados da China continental e de Hong Kong.
Para Dany Rappaport, sócio da gestora Investport, a contratação do banco chinês tem por objetivo atrair fundos soberanos para a compra dos papéis da empresa brasileira na operação. O prazo para reservas de ações começa na próxima segunda-feira.
Na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), as ações da Petrobrás mantiveram ontem o movimento de alta iniciada na quinta-feira, após o anúncio dos termos do contrato de cessão onerosa do pré-sal. Os papéis ordinários (com direito a voto) fecharam o dia com alta de 1,93%, uma das maiores do dia. Após meses de queda por conta das incertezas com a capitalização, as ações já acumulam alta de 12% desde o início do mês. / COLABOROU NALU FERNANDES
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