China dá sinais de que quer estimular economia, mas não deve lançar pacote amplo
Governo não quer fornecer incentivos massivos para evitar potenciais bolhas de ativos e manter a inflação controlada
SÃO PAULO - Os sinais de que a China está implementando medidas para estimular o crescimento da economia do país deram fôlego para os mercados internacionais no início desta terça-feira. No entanto, o entusiasmo diminuiu depois que a agência de notícias estatal chinesa, a Xinhua, afirmou que o governo central não vai adotar um plano de estímulos agressivo como o implementado em resposta à crise financeira global de 2008.
Segundo a Xinhua, o governo não tem como objetivo fornecer incentivos massivos para obter um crescimento econômico forte, pois as autoridades não querem repetir o tipo de programa anterior para evitar investimentos ineficientes e potenciais bolhas de ativos e manter a inflação controlada. A agência destacou que as medidas anunciadas recentemente são diferentes do grande pacote de estímulos focado em projetos de infraestrutura e investimentos implementado no fim de 2008 e início de 2009.
Ainda assim, há motivos para enxergar um movimento relativamente amplo do governo central chinês para fornecer incentivos à economia. Cálculos da agência Dow Jones indicam que entre janeiro e abril deste ano a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC, na sigla em inglês) aprovou 868 projetos de investimentos de empresas e governos locais, em comparação com 363 um ano antes. Apenas em abril foram aprovados 254 projetos, acima de 213 em março e mais do que o triplo dos 74 aprovados em abril de 2011.
Separadamente, o Ministério de Finanças da China informou que o governo central vai lançar uma série de incentivos para o desenvolvimento de carros elétricos e híbridos, incluindo um subsídio anual entre 1 bilhão de yuans e 2 bilhões de yuans (US$ 158 milhões a US$ 316 milhões). Ainda com relação ao setor automotivo, o jornal Shanghai Securities News afirmou que a China em breve introduzirá medidas de estímulo para incentivar a demanda por automóveis, como subsídios em dinheiro para residentes em áreas rurais que comprarem carros pequenos, e incentivará a substituição de certos tipos de veículos antigos.
Também foram anunciadas mudanças fiscais no país. Segundo fontes, o Conselho de Estado da China aprovou a expansão de uma reforma tributária do imposto sobre valor agregado (IVA) para a cidade de Pequim. Pela proposta, algumas empresas do setor de serviços pagam um imposto sobre o valor agregado em vez de uma taxa incidente sobre a receita total, o que acaba por diminuir a carga fiscal global. A medida foi vista como evidência das iniciativas do governo chinês de usar a política fiscal para estimular a economia.
Outras notícias dos últimos dias também dão conta de que a China vai subsidiar a compra de aparelhos domésticos eficientes no consumo de energia, além de permitir a execução de projetos que vão desde usinas siderúrgicas até hospitais e unidades de tratamento de água.
No entanto, a visão da Xinhua é compartilhada por alguns especialistas. Ontem Luo Guosan, vice-diretor do Departamento de Investimento em Ativos Fixos da NDRC afirmou ao jornal Chongqing Economic Daily que a China dificilmente dará outro estímulo grande para o crescimento econômico porque isso seria insustentável. O governo central chinês tem como meta uma "escala de investimento razoável" para manter o crescimento econômico, disse Luo, segundo a reportagem.
A agência de classificação de risco Moody's fez comentário semelhante em relação à política monetária chinesa. De acordo com Yvonne Zhang, analista da Moody's, a China não deverá relaxar muito o crédito enquanto tenta alcançar um equilíbrio entre estímulo econômico e inflação. "Eu não vejo as autoridades relaxando muito o crédito", afirmou ontem.
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