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15 de Abril de 2010

 

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China rejeita pressão externa e diz que moeda ficará 'estável'

'Somos contra adoção de medidas para forçar países a apreciarem suas moedas', diz premiê 

14 de março de 2010 | 14h 34
Cláudia Trevisan

PEQUIM - O primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, rejeitou as pressões externas para a valorização do yuan e afirmou que a cotação da moeda ficará "estável" em um patamar "apropriado e balanceado", sem especificar o que isso significa.

"Nós somos contra a prática de acusações mútuas entre países ou a adoção de medidas para forçar outros países a apreciarem suas moedas", declarou o premiê na única entrevista coletiva que concede a cada ano, no encerramento da reunião do Congresso Nacional do Povo. Segundo ele, esse tipo de comportamento não contribui para a reforma do sistema cambial chinês.

Wen refutou as acusações de que a cotação do yuan é mantida em um patamar artificialmente baixo e lembrou que o valor da moeda subiu 21% desde que julho de 2005, quando, em tese, acabou a paridade com o dólar que havia existido por uma década.

O problema é que o movimento de apreciação se interrompeu em meados de 2008, com a crise financeira global. Desde então, a cotação é mantida inalterada em 6,83 yuans para cada US$ 1,00. O primeiro-ministro afirmou que a estabilidade da moeda chinesa foi importante para a recuperação da economia global e lembrou que seu país não promoveu desvalorizações durante o período agudo da crise.

Para reforçar sua posição, Wen ressaltou que as importações da China caíram apenas 11% no ano passado, enquanto as exportações tiveram retração de 16%, o que provocou queda de US$ 102 bilhões no superávit comercial do país.

O premiê acrescentou que as exportações globais dos Estados Unidos tiveram retração de 17% em 2009, enquanto seus embarques para a China diminuíram apenas 2,2%. No caso da União Europeia, o declínio nas vendas globais foi de 20,3% _nas que têm como destino a China, a retração foi de 15,3%.

"Nós vamos continuar a implantar um regime cambial administrado, baseado no mercado e flutuante", declarou o premiê, sem mencionar prazos para mudança na cotação da moeda.

A maioria dos analistas acredita que a China retomará a política de apreciação do yuan dentro de três a quatro meses e prevê valorização de 4% a 6% até o fim do ano.

Pequim continuará a adotar medidas para aumentar suas importações, disse Wen, que pediu aos Estados Unidos e Europa que levantem as limitações para exportação de alguns bens de alta tecnologia para a China.

Essas restrições estão relacionadas ao embargo à venda de armas para o país adotado depois do massacre de estudantes que pediam reformas democráticas na praça Tiananmen, em 1989.

Wen também defendeu o livre comércio e afirmou que eventuais barreiras à importação de produtos chineses podem afetar outras nações que possuem investimentos na China. Segundo ele, 60% das exportações do país são realizadas por multinacionais ou empresas estrangeiras que possuem joint ventures com parceiros chineses. "Restringir o comércio com a China equivale a criar dificuldades para as empresas de seu próprio país."


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