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15 de Abril de 2010

 

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China tem dificuldade para implementar metas de redução de energia

As metas têm por objetivo limitar a dependência da China de recursos naturais caros, muitos dos quais são importados, e também são cruciais para a redução das emissões de gases estufa e outros poluentes

09 de setembro de 2010 | 17h 06
Clarissa Mangueira, da Agência Estado

PEQUIM - Alguns governos locais da China estão racionando energia para fábricas, casas e hospitais e até desligando semáforos, em uma tentativa para se alinharem às metas inflexíveis de eficiência energética impostas por Pequim. Segundo reportagem do Wall Street Journal, o movimento destaca os desafios enfrentados pelo país para encontrar medidas aptas e duradouras para economizar energia.

As metas de eficiência energética, que faz parte dos planos de cinco anos do governo chinês para a economia, exige a redução da intensidade energética, ou da quantidade de energia usada relativa à produção econômica, em 20% durante o período 2006-2010. A meta tem por objetivo limitar a dependência da China de recursos naturais caros, muitos dos quais são importados, e também é crucial para a redução das emissões de gases estufa e outros poluentes, visto que a principal fonte de energia do país é o carvão.

Até o final do ano passado, a China cortou a intensidade energética em 15,6%. No primeiro trimestre deste ano, a utilização de energia subiu acentuadamente com o ingresso de fundos de estímulo na economia, que impulsionou os setores de infraestrutura e imobiliário. O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, prometeu usar "mão de ferro" para assegurar que a meta de cinco anos para a economia seja cumprida e seguiu com outras declarações pedindo o fechamento de fábricas manufatureiras ultrapassadas e ineficientes.

"Está claro que eles estão ansiosos para alcançar a meta de 20% para a energia", afirmou Arthur Kroeber, diretor administrativo da GaveKal Dragonomics, uma empresa de pesquisa econômica de Pequim. Já o economista do UBS Wang Tao, disse que a meta "é uma grande questão" para o governo, que não desejará reconhecer sua falha em atingir objetivo tão notável.

O governo central tem tido dificuldade há muito tempo em obter das autoridades locais o cumprimento das medidas de proteção do ambiente, porque as autoridades locais estavam sendo avaliadas principalmente pelo crescimento econômico e do emprego nas suas regiões. Mas a recente pressão sobre as metas de energia parece ter aumentado, em parte, porque as autoridades municipais estão sendo julgadas em avaliações de desempenho anuais, segundo analistas.

As medidas têm chamado a atenção no setor siderúrgico, particularmente, com a produção de um número de pequenas usinas sendo temporariamente interrompida. O Credit Suisse estima que a produção de aço da China poderá ser reduzido em 5% nos próximos meses em razão das restrições de energia. A especulação sobre o impacto levou os preços do aço para cima, embora a demanda tenha também enfraquecido.

O economista do UBS Wang Tao afirmou que o impacto dos cortes de energia sobre a economia da China será limitado, porque ela já começou a desacelerar com as medidas anunciadas pelo governo chinês para esfriar os setores de infraestrutura e habitação.

Andy Rothman, estrategista da China CLSA para os mercados da região da Ásia e do Pacífico, disse que há outros motivos por trás dos cortes de energia. O governo central da China tem lutado para consolidar a fragmentada indústria do aço, em parte para se livrar de pequenas usinas menos eficientes, mas também porque um setor siderúrgico mais unificado poderia aumentar seu poder de barganha nas negociações com as mineradoras.

As fundições de alumínio, que normalmente usam mais eletricidade do que as usinas siderúrgicas, não foram fechadas durante a operação, disse Rothman.

Para especialistas em meio ambiente, as ações locais sugerem que o governo chinês está tendo dificuldade em implementar mais soluções duradouras. Essas medidas mostram "a falta de entendimento do significado real das metas de eficiência energética", destacou Wen Bo, do grupo ambientalista Pacific Environment. Ele prevê que as emissões e o consumo de energia da China vão aumentar em 2011, quando o próximo plano de cinco anos para economia será iniciado. As informações são da Dow Jones.


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