Condição de crédito no 1º tri de 2012 é mais restritiva que no fim de 2011
Entre as instituições que fornecem crédito para grandes empresas, a expectiva é de recuo na oferta e na demanda e aumento das restrições
FORTALEZA - As condições de crédito para o primeiro trimestre de 2012 devem ser mais restritivas do que foram no quarto trimestre de 2011, segundo pesquisa do Banco Central apresentada nesta sexta-feira, 10, em Fortaleza, pelo diretor de Política Econômica, Carlos Hamilton Vasconcelos. O levantamento foi realizado entre os dias 12 e 23 de dezembro do ano passado com 46 conglomerados na área de concessão de crédito, responsáveis pelas carteiras de grandes, médias, micro e pequenas empresas. O levantamento obedece a uma escala de -1 ponto a +1 ponto.
No segmento grandes empresas, a expectativa de oferta de crédito passou de -0,64 ponto para -0,68 entre o quarto trimestre do ano passado e o primeiro trimestre deste ano. No quesito demanda por crédito, as grandes empresas reduziram a expectativa de 0,50 ponto para 0,09 ponto no mesmo período avaliado. Para a aprovação de crédito, esse segmento espera que aumento nas restrições para concessão de crédito, de -0,14 ponto para -0,32 ponto.
De acordo com Carlo Hamilton Vasconcelos, os executivos das empresas associam o aumento da restrição do crédito no primeiro trimestre deste ano a menor liquidez no mercado. Eles acreditam também, segundo o diretor do BC, que a demanda por crédito deve cair em consequência da menor necessidade de investimentos.
No segmento das micro, pequenas e médias empresas, a oferta de crédito ficou estável em 0,58 ponto. Já a demanda, deve sofrer ligeira redução, passando de 0,48 ponto no quarto trimestre de 2011 para 0,38 ponto no primeiro trimestre de 2012. E, para o quesito aprovação de crédito, a expectativa é de estabilidade. Com relação ao crédito voltado para o consumo pessoa física, os empresários desse segmento de modo geral preveem estabilidade na oferta de crédito, com taxa negativa de 0,19 ponto; redução na demanda, de 0,35 para 0,29 ponto; e redução nas restrições para aprovação de crédito, de -024 ponto para -0,12 ponto.
Para o crédito habitacional, a expectativa é de piora na oferta, passando de -0,25 ponto para -0,38 ponto. A demanda cresceu de 0,75 ponto para 0,88 ponto entre o último trimestre de 2011 e o primeiro de trimestre de 2012. E a expectativa em relação a aprovação de crédito dobrou, avançando de 0,25 ponto para 0,50 ponto. A taxa preferencial de juros recuou de 17,8% em setembro do ano passado para 16% em novembro de 2011.
Nordeste lidera alta no crédito em 12 meses até novembro
O BC informou que a alta do crédito nos 12 meses até novembro do ano passado foi maior na Região Nordeste, que apresentou avanço de 23,6%. Os destaques na região foram, para a pessoa física, o crédito consignado e o habitacional e, para as empresas, a linha para capital de giro e a conta garantida. As informações fazem parte do Boletim Regional, que traz uma visão das regiões do país a partir de dados e indicadores econômicos.
De acordo com o documento, o crédito na Região Sudeste, com 56,2% do total do país, registrou alta de 17,5% nos 12 meses encerrados em novembro. Já a Região Norte teve alta de 22,4% no período; a Centro-Oeste, de 21,5%; e a Sul, de 20,8%. No total do Brasil, as operações de crédito registraram alta de 19,4% nos 12 meses até novembro de 2011.
Inadimplência
A inadimplência em operações de crédito superiores a R$ 5 mil subiu em todo o País na margem, informou o Banco Central. Considerando o trimestre encerrado em novembro do ano passado, a alta da inadimplência no Nordeste foi de 0,2 ponto porcentual. O aumento foi identificado ainda no Norte (0,1 p.p), no Sudeste (0,2 p.p), no Sul (0,1% p.p) e no Centro-Oeste (0,2 p.p). Em todo o País, o avanço foi de 0,2 p.p.
Nos 12 meses encerrados em novembro, a maior alta da taxa de inadimplência foi identificada no Sudeste (0,3 p.p). Também tiveram taxas positivas o Nordeste (0,2 p.p) e o Sul (0,1 p.p). No Norte (-0,2 p.p) e no Centro-Oeste (-0,1 p.p), a inadimplência recuou nos 12 meses encerrados em novembro de 2011.
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