Consórcio espera licença este mês para obra de Belo Monte
Segundo diretor da Chesf, uma das acionistas da Norte Energia, obras já devem ser iniciadas em setembro
SÃO PAULO - A Norte Energia S.A., concessionária da hidrelétrica Belo Monte (PA), trabalha com a hipótese de que o Ibama libere ainda este mês a licença de instalação (LI) provisória, que permitiria o início das obras no canteiro da usina. "A nossa intenção é de iniciarmos as obras do empreendimento ainda em setembro", afirmou o diretor de Engenharia e Construção da Chesf, José Ailton de Lima, após o leilão de transmissão. A Chesf é uma das acionistas da Norte Energia S.A.
De acordo com o executivo, a concessionária entregou o projeto básico ambiental (PBA) para as obras do canteiro da hidrelétrica ao final de julho deste ano. "Por isso que esperamos que a licença saia ainda este mês", justificou citando o fato de que o trabalho já está em análise no Ibama a mais de um mês. A concessão de uma LI provisória não é novidade no setor elétrico. Esse expediente já foi usado pela Energia Sustentável do Brasil, concessionária de Jirau (RO), do Rio Madeira, para acelerar as obras da hidrelétrica.
Ailton de Lima comentou que a Norte Energia S.A. começou esta semana as negociações com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para o financiamento de Belo Monte. "Entregamos, esta semana, a primeira versão da carta consulta", disse. Sem entrar em detalhes, o executivo explicou que a ideia é alcançar o valor máximo financiável, que é de 80%, segundo informações disponíveis no site da instituição. Para alcançar esse porcentual, o executivo disse que a operação deve contar com bancos privados como repassadores. "O BNDES não teria condições de financiar sozinho", comentou.
O diretor da Chesf preferiu não entrar em detalhes sobre o valor do investimento que está sendo trabalhado para a hidrelétrica Belo Monte atualmente, alegando que essa é uma informação estratégica. Mas comentou que o montante de R$ 25 bilhões, divulgado recentemente pelo fundo de pensão Petros, não está muito distante da realidade. "Se um dos sócios da usina diz que o valor é de R$ 25 bilhões, não vou dizer que está mentindo. Você acha que a Petros informaria um número muito distante?", questionou o executivo.
Outro ponto que segue em aberto é a participação dos autoprodutores na concessionária. Segundo Ailton de Lima, a Gaia Energia, do grupo Bertin, tem 90 dias, após a assinatura do contrato de concessão, para decidir se ficará ou não com a participação de 9% que detém no empreendimento - a Gaia entrou no consórcio como autoprodutora, apesar de não ter nenhuma atividade industrial.
Se a empresa decidir não ficar com a fatia, outras empresas entrarão no seu lugar. "Não temos nada acertado no momento, mas há uma fila de indústrias que querem entrar na usina", comentou o diretor da Chesf. A assinatura do contrato de concessão ocorreu no dia 26 de agosto, na semana passada. Isso impõe que a Gaia Energia tem que tomar esta decisão até o final de novembro deste ano.
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