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Construção de estaleiro na Bahia não é projeto, é realidade, diz Graça Foster

Com a construção do Estaleiro Enseada do Paraguaçu, presidente da Petrobrás disse que indústria naval brasileira está em nova etapa 

13 de julho de 2012 | 14h 18
André Magnabosco, da Agência Estado

SÃO PAULO - A presidente da Petrobrás, Maria das Graças Foster, afirmou nesta sexta-feira que a construção do Estaleiro Enseada do Paraguaçu (EEP), cuja pedra fundamental foi lançada hoje na Bahia, é o exemplo de uma nova etapa da indústria naval brasileira.

O estaleiro é a segunda etapa de um projeto iniciado em 2008, quando o Consórcio Rio Paraguaçu acertou com a Petrobrás a construção de duas plataformas, a P-59 e a P-60. A primeira foi batizada também nesta sexta-feira, no canteiro de São Roque do Paraguaçu, de propriedade da Petrobrás.

A construção das duas unidades é considerada uma etapa de testes para a instalação do novo estaleiro, cujo início de operações está previsto para 2014. A plataforma P-59 alcançou a marca de 83% de conteúdo nacional, indicador medido pela taxa de equipamentos produzidos no Brasil agregados à plataforma.

A marca supera a meta estabelecida pelo governo brasileiro, de 70%, destacou o presidente do Estaleiro Enseada do Paraguaçu (EEP), Fernando Barbosa. "A unidade na Bahia não é projeto, é uma realidade do que está acontecendo no Brasil", disse a presidente da Petrobrás.

Graça participa hoje, juntamente com a presidente Dilma Rousseff e autoridades baianas, dos eventos de lançamento da pedra fundamental do EEP e do batismo da P-59. O estaleiro, cujo investimento previsto é de R$ 2 bilhões, ficará nos arredores da unidade da Petrobrás responsável pela construção da P-59. A mesma unidade deve concluir no mês que vem a construção da plataforma P-60, idêntica à P-59, e será responsável pela geração de cinco mil empregos diretos.

Plataformas

Os contratos de construção das duas plataformas foram assinados em setembro de 2008 com o Consórcio Rio Paraguaçu, formado pelas empresas Odebrecht, Queiroz Galvão e UTC Engenharia. O consórcio, em sociedade com a japonesa Kawasaki, também será responsável pela instalação do EEP. Por isso, a construção das duas plataformas no Recôncavo Baiano é considerada uma etapa de testes para a instalação do novo estaleiro. O EPP, com capacidade para processar até 36 mil toneladas de aço por ano, será responsável pela fabricação de seis navios-sonda utilizados em perfuração de poços de petróleo, em uma encomenda de US$ 4,8 bilhões contratada pela Sete Brasil.

Os eventos na Bahia marcam a retomada da produção brasileira de plataformas de perfuração autoelevatória, modelo de embarcação que não era construído localmente há quase 30 anos e que caracteriza a P-59. A embarcação terá 74,1 metros de comprimento, 62,8 metros de largura e 7,9 metros de altura, peso total de 11 mil toneladas e será capaz de acomodar 110 pessoas. Ela foi construída em um prazo de 44 meses.

Esta será a sexta plataforma do tipo autoelevatória da Petrobrás em operação no país. A embarcação terá capacidade para alcançar profundidade d'água rasa para 106 metros, acima da capacidade máxima das demais plataformas desse tipo operadas pela Petrobrás, de até 70 metros. Além disso, a P-59 tem capacidade de perfurar poços de até 9.144 metros de comprimento, em condições de alta pressão e temperatura.

A unidade será alocada primeiramente no poço exploratório Peroá Profundo, no campo de Peroá, no Espírito Santo, e deverá iniciar as operações em setembro. As outras cinco plataformas de perfuração autoelevatória operam neste momento em Alagoas, Sergipe, Espírito Santo e Rio Grande do Norte (duas).

Investimento

A Petrobrás investiu cerca de US$ 360 milhões na construção da plataforma, operação que gerou cerca de 2.100 empregos diretos no pico da construção, em junho do ano passado, e foi concluída em 44 meses. Os empregos indiretos beneficiaram 10 mil pessoas. Os equipamentos de perfuração da P-59 serão montados no convés de perfuração, numa estrutura móvel retrátil que pode ser estendida para fora da plataforma.

Durante seu discurso, Graça Foster fez questão de homenagear o ex-presidente da estatal José Sergio Gabrielli, além de atuais e ex-executivos da Petrobrás. Gabrielli é hoje o atual secretário do Planejamento da Bahia.





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