Contratação nos EUA cresce abaixo das expectativas
WASHINGTON, 6 JUL - Os empregadores norte-americanos contrataram num ritmo desanimador em junho, aumentando a pressão sobre o Federal Reserve (banco central dos Estados Unidos) para tomar mais ações para impulsionar a economia, além de colocar em risco a reeleição do presidente Barack Obama em novembro.
O Departamento do Trabalho informou nesta sexta-feira que foram criadas apenas 80 mil empregos fora do setor agrícola em junho, abaixo das expectativas dos analistas, mas um pouco acima da leitura revisada de maio de criação de 77 mil vagas.
A criação de empregos durante o mês não foi suficiente para diminuir a taxa de desemprego do país, que está atualmente em 8,2 por cento. O relatório alimentou preocupações de que a crise da dívida da zona do euro está colocando a economia norte americana numa marcha mais lenta.
"Simplesmente não há muita dinâmica na economia", disse o economista do Wells Fargo & Co, na Carolina do Norte, Sam Bullard.
Mitt Romney, o opositor republicano de Obama, está focando sua campanha no fraco mercado de trabalho, que tem sido persistente durante a presidência de Obama.
Os detalhes do relatório também são inquietantes. O governo informou que a economia criou menos 1 mil empregos durante abril e maio do que o previsto anteriormente.
O relatório pode deixar o Fed mais perto de tomar novas ações para diminuir os custos de empréstimos a fim de encorajar as empresas a aumentarem as contratações. Analistas consultados pela Reuters esperavam um aumento de 90 mil vagas em junho.
Os problemas de dívida prejudicaram boa parte da Europa, levando alguns países a cair em recessão. A crise da zona do euro afetou o crescimento econômico ao redor do mundo, desde a China até o Brasil. Uma pesquisa divulgada na segunda-feira mostrou que o setor manufatureiro dos Estados Unidos contraiu pela primeira vez em quase três anos em junho.
A Europa não é a única preocupação sobre o cenário norte-americano. Os planos de Washington de contenção no começo de 2013 podem facilmente levar a economia a uma recessão. Observadores cautelosos pensam se parlamentares podem evitar esse "abismo fiscal".
"As empresas estão dizendo: 'Realmente há uma razão para aumentar a contratação agora?'", disse Bullard.
A média de criação de empregos foi de 75 mil por mês durante o segundo trimestre, comparado com um aumento médio de 226 mil no primeiro trimestre. Parte da desaceleração pode ser por conta do tempo ameno que levou empresas a aumentarem as contratações no inverno (do hemisfério norte) com as despesas da primavera.
"Nós não estamos esperando que as coisas decolem no segundo semestre do ano", disse a economista da Moody's Analytics, na Pensilvânia, Sara Klein. "Clima não é o único fator."
(Reportagem de Jason Lange)
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