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Desaceleração do setor de serviços ameaça crescimento do emprego

 Economistas acreditam que as contratações devem dar sinal de enfraquecimento já a partir deste mês

11 de junho de 2012 | 14h 10
Bianca Ribeiro, da Agência Estado

SÃO PAULO - O crescimento do emprego no País pode começar a ser ameaçado pela desaceleração do setor de serviços, que vem sustentando a expansão do mercado de trabalho, mas já deu seus primeiros sinais de desgaste na última semana. Há economistas prevendo que as contratações devem dar sinal de enfraquecimento já a partir deste mês.

A luz amarela surgiu com o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês), que recuou de 52,7 pontos em abril para 49,7 pontos em maio, de acordo com os números divulgados Markit Economics Limited e HSBC Bank Brasil. Foi a primeira queda registrada pelo indicador desde julho de 2009 e a primeira vez que o índice ficou no terreno negativo, abaixo de 50 pontos. Ao mesmo tempo, o nível de confiança no setor apurado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) também em maio teve o pior resultado desde agosto de 2009, passando de 128,8 pontos em abril para 125,6 pontos.

Há um consenso entre especialistas na avaliação de que o mercado de trabalho não conseguirá continuar avançando com um crescimento econômico fraco como o confirmado pelo PIB do primeiro trimestre, que subiu apenas 0,2% na comparação com os três meses finais de 2011. "Se houver crescimento de emprego em 2013, teremos de rasgar todos os livros de economia", diz José Pastore, economista da Universidade de São Paulo e especialista em relações do trabalho.

Pastore diz que o governo precisará rever o atual modelo econômico, que está baseado em benefícios e salários altos, transferência de renda e estímulo ao consumo. A orientação geral dos economistas para evitar um declínio dos níveis de emprego é ampliar os investimentos públicos e privados o mais forte e rapidamente possível.

Levantamento da organização não governamental Contas Abertas feito a pedido do jornal O Estado de S. Paulo mostra que os investimentos do governo federal são os menores dos últimos três anos. De janeiro a maio deste ano, os desembolsos chegaram a R$ 14,3 bilhões, ante R$ 14,7 bilhões no mesmo período de 2011. Em termos reais corrigidos pelo IGP-DI, a queda é de 2,7% no período.

"É surpreendente que o baixo investimento não tenha afetado o desempenho do emprego ainda, mas é inevitável que aconteça", diz Pedro Paulo Silveira, economista chefe da corretora TOV, que prevê números menores para a geração de emprego a partir dos dados de junho ou julho deste ano.

Se a atividade não responder no segundo semestre, como vem sendo esperado, as empresas podem começar a enxugar o quadro de empregados, concorda Silvio Sales, economista do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV. Na avaliação dele, vem aumentando a sinalização de que a atividade deverá ser mais moderada do que o previsto pelo governo para a segunda metade do ano.

Em relatório a investidores da Nomura Securities, o diretor de pesquisa para mercados emergentes na América Latina, Tony Volpon, amplia a preocupação ao avisar que o Brasil logo poderá deixar de ser um "oásis" num mundo mergulhado em uma crise de emprego.

A expansão do setor de serviços nos últimos anos está associada à melhoria de renda e de acesso a crédito da nova classe média. Mas o comércio, que responde por 12,6% do produto gerado no setor de serviços, ainda não vê razões para preocupações com desemprego. O assessor econômico da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), Guilherme Dietze, diz que o consumidor pode estar mais cauteloso, mas a demanda ainda segue forte e os incentivos do governo para consumo de veículos e eletrodomésticos estão funcionando. "A renda está adequada, o crédito está barato e comércio segue bem", afirma Dietze. 



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