Desvalorização do dólar seria maior sem aumento do IOF, diz Mantega
Ministro reconheceu que aumento na taxação de capital estrangeiro em renda fixa ainda não surgiu efeito
BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Guido Mantega voltou a reconhecer que o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nos investimentos estrangeiros em renda fixa, que entrou em vigor nesta terça-feira, 5, ainda não surtiu o efeito esperado. "Há remédios que não fazem efeitos no dia seguinte. Às vezes você começa a tomar um antibiótico e tem que tomar uma semana. É preciso olhar o cenário de hoje", disse o ministro, citando que o Japão, por exemplo, também tomou uma medida importante hoje, no sentido de desvalorizar o iene em relação ao dólar, o que afetou muitos mercados.
"O que se poderia pensar é que não fez efeito hoje, mas poderia fazer amanhã. E certamente ela (a medida) vai diminuir o fluxo de capital de curto prazo em aplicações financeiras, o que vai nos ajudar a diminuir a pressão sobre o dólar", afirmou. Segundo o ministro, o raciocínio é que "se não se tivesse tomado esta medida, com o fluxo grande que estava ocorrendo, se poderia ter uma desvalorização do dólar maior do que de fato ocorreu".
Mantega admitiu, porém, que "esta não é uma medida definitiva que vá resolver todo o nosso problema". "É para atenuar o fluxo forte que se identificou em aplicações financeiras estrangeiras em mercados de renda fixa", ressaltou. Ele informou que vai amanhã a Washington, para uma reunião com ministros da Fazenda dos 24 países mais importantes do mundo, discutir o mesmo assunto. "A questão cambial é generalizada e não só no Brasil", afirmou. "Estamos vendo que a cada dia países tomam medidas para impedir que haja valorização das suas moedas. Ninguém quer perder a guerra comercial. Ninguém quer deixar de exportar ou ter sua moeda valorizada artificialmente. Nós temos que discutir em conjunto para acharmos uma saída comum de todos os países".
Perguntado se o governo poderia taxar as bolsas, respondeu: "Não havia fluxo excepcional na bolsa. Portanto mantivemos 2% nas aplicações estrangeiras. Sobre o IOF para compras no exterior com cartão de crédito, Mantega disse que nada mudou. "Não mudou o IOF em relação ao cartão de crédito. Exceto em relação aos investimentos estrangeiros no mercado de renda fixa. O resto fica igual. Ele lembrou que no caso das compras no exterior ninguém pode trazer mais que US$ 500 por pessoa e quem ultrapassar esse valor já paga imposto sobre isso.
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